Com a chegada de 2026, a inteligência artificial entra em uma nova etapa de adoção nas empresas, deixando para trás o ciclo de entusiasmo e experimentação ampla para dar lugar a uma fase de maior maturidade, foco estratégico e entrega de resultados concretos. A avaliação é de Felipe Fávero, Head of AI & Product Development da CI&T, que vê o próximo ano como um ponto de inflexão na forma como a tecnologia é aplicada nos negócios.
“Falar de tendências em IA é sempre desafiador, porque estamos lidando com uma tecnologia que evolui em ritmo acelerado. No contexto dos negócios, porém, o mais relevante não são promessas futuras, mas os casos que já estão em prática, e que devem se intensificar em 2026”, afirma o executivo.
Segundo Fávero, após um período inicial marcado pela euforia, o mercado caminha para uma abordagem mais pragmática. A discussão sobre inteligência artificial amadureceu e passa a priorizar aplicações intencionais, escaláveis e orientadas ao retorno sobre investimento, especialmente em iniciativas ligadas diretamente ao core business das organizações.
Na CI&T, essa evolução é observada a partir de três ondas principais de adoção da inteligência artificial generativa: hiper-eficiência, hiperpersonalização e disrupção. No Brasil, a expectativa é que 2026 consolide a primeira dessas fases. Depois de cerca de três anos de testes, validações e esforços de escalabilidade, as empresas começam a comprovar ganhos consistentes de produtividade.
“Esse é um passo fundamental para avançar. Na fase de hiper-eficiência, falamos de empresas entregando sua proposta de valor de forma mais eficiente. Já a hiperpersonalização acontece quando a IA passa a atuar diretamente no core business”, explica Fávero.
Colaboração entre humanos e IA
O avanço do pragmatismo também altera a narrativa sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho. A ideia de substituição em larga escala da força de trabalho humana perde espaço, sendo substituída por um modelo de colaboração mais integrada entre pessoas e sistemas inteligentes.
“A perspectiva não é nem de substituição do trabalho humano, nem da IA como simples assistente. Estamos falando de uma Inteligência Artificial intrinsecamente conectada ao trabalho das pessoas”, afirma o executivo.
Regulação e sustentabilidade ganham peso
Com o uso da IA avançando para aplicações mais críticas e orientadas a resultados, temas como regulação ética e sustentabilidade ganham protagonismo em 2026. No campo regulatório, cresce a demanda por critérios claros, limites e mecanismos de governança. A legislação europeia, representada pelo AI Act, tende a influenciar discussões e diretrizes em outros mercados, inclusive no Brasil.
Empresas que se anteciparem ao cenário regulatório, adotando princípios internos e estruturas robustas de governança, podem não apenas reduzir riscos, mas também contribuir para a formulação de padrões no setor.
A agenda ambiental completa esse contexto. O consumo energético de grandes modelos generativos já é alvo de atenção global, estimulando o desenvolvimento de modelos menores, especializados e distribuídos, projetados desde a origem para maior eficiência operacional e menor impacto ambiental.
“A principal reflexão é que as discussões econômica e ambiental precisam convergir. São resultados diferentes, mas que nascem das mesmas decisões estratégicas”, conclui Fávero.






