A adoção de sistemas de inteligência artificial autônomos tem avançado entre empresas globais e começa a influenciar modelos de negócio, processos decisórios e estratégias competitivas. É o que aponta a pesquisa The Emerging Agentic Enterprise, realizada pelo MIT Sloan Management Review em parceria com o Boston Consulting Group (BCG).
De acordo com o estudo, 79% das organizações com uso intensivo de inteligência artificial já investem em agentes de IA para gerar insights que apoiam decisões humanas em nível estratégico.
“O uso de agentes nas empresas líderes mostra uma mudança clara de mentalidade. A tecnologia deixa de ser vista apenas como ferramenta de automação e passa a operar como um ativo estratégico de apoio à decisão humana, ampliando a capacidade analítica e a velocidade de resposta das organizações”, afirma Douglas Souza, CEO do CNEX e do MIT Sloan Management Review Brasil.
Segundo o levantamento, a adoção de sistemas agênticos ocorre em ritmo mais acelerado do que outras ondas tecnológicas recentes. Apenas dois anos após o surgimento dessa abordagem, cerca de 35% das organizações já utilizam agentes de IA, enquanto outros 44% planejam implementar a tecnologia em breve.
Para efeito de comparação, a inteligência artificial generativa levou aproximadamente três anos para atingir 70% de adoção entre empresas, enquanto sistemas tradicionais de IA demoraram cerca de oito anos para alcançar nível semelhante.
O estudo indica ainda que o principal valor dos agentes de IA vai além da eficiência operacional. Entre organizações com uso mais avançado da tecnologia, 73% afirmam que esses sistemas ampliam a capacidade de diferenciação competitiva ao permitir decisões mais rápidas, aprendizado contínuo e maior adaptação a mudanças no ambiente de negócios.
A pesquisa também aponta que o grau de autonomia desses sistemas deve aumentar nos próximos três anos. A expectativa de agentes de IA atuando de forma independente quase triplica nesse período, enquanto a probabilidade de que recebam autoridade direta para tomar decisões cresce cerca de 250%.
Apesar desse avanço, o uso totalmente autônomo ainda permanece minoritário nas empresas.
“O principal desafio do sistema agêntico não é tecnológico, mas estratégico. Organizações que adotam esses sistemas sem revisar processos, governança e modelos de investimento tendem a limitar seus retornos, enquanto aquelas que conseguem integrar agentes autônomos ao core do negócio aceleram a inovação, o aprendizado organizacional e a construção de uma vantagem competitiva sustentável”, conclui Souza.






