A incorporação de sistemas de inteligência artificial capazes de operar de forma autônoma — conhecidos como agentes de IA — já provoca mudanças na gestão de pessoas, na estrutura organizacional e no papel das lideranças. É o que mostra a pesquisa The Emerging Agentic Enterprise, conduzida pelo MIT Sloan Management Review em parceria com o Boston Consulting Group (BCG).
Segundo o levantamento, 95% dos profissionais que atuam em organizações com uso intensivo de agentes de IA relatam maior satisfação no trabalho. Para 76% dos executivos entrevistados, esses sistemas são percebidos mais como colegas de trabalho do que como ferramentas tradicionais, indicando uma mudança na forma como tarefas são organizadas, decisões são tomadas e responsabilidades são distribuídas.
“Os resultados mostram que os sistemas agênticos não representam uma ameaça ao trabalho humano, mas são um catalisador de transformação. Quando profissionais e lideranças aprendem a trabalhar em parceria com esses sistemas, ganham escala cognitiva, reduzem tarefas operacionais e ampliam sua atuação estratégica. O desafio central passa a ser o desenvolvimento de novas competências e a construção de uma cultura de aprendizagem contínua”, afirma Douglas Souza, CEO do CNEX e CEO do MIT Sloan Management Review Brasil.
O estudo ouviu 2.102 executivos de 21 setores em 116 países. Entre as empresas com adoção avançada de agentes de IA, 66% esperam mudanças relevantes em seus modelos operacionais e na definição de papéis, enquanto 45% projetam redução de camadas intermediárias de gestão. O cenário aponta para estruturas mais horizontais, com líderes assumindo funções voltadas à coordenação de equipes híbridas formadas por profissionais e sistemas inteligentes.
A pesquisa também indica impacto nas estratégias de contratação e desenvolvimento. Entre as organizações com uso intensivo da tecnologia, 43% pretendem priorizar a contratação de profissionais generalistas, capazes de atuar em diferentes frentes e supervisionar agentes de IA. Ao mesmo tempo, 29% projetam redução na contratação para cargos de entrada, tradicionalmente ligados a atividades rotineiras.
Para os próximos três anos, os entrevistados estimam que os agentes de IA poderão executar, em média, 46% das tarefas atualmente desempenhadas em seus cargos — quase o dobro do nível percebido hoje. Ainda assim, o avanço tecnológico não é majoritariamente associado à substituição de profissionais. A expectativa de delegar parte das atividades à IA é vista de forma positiva, independentemente do grau de maturidade digital das organizações.
“Mais do que adotar tecnologia, o grande desafio para RH e lideranças está em redesenhar funções, carreiras e modelos de gestão. As organizações que vão se destacar são aquelas que tratam os agentes como parte ativa da força de trabalho, investindo em governança, desenvolvimento de lideranças e aprendizagem contínua para sustentar decisões mais rápidas, qualificadas e estratégicas”, conclui Douglas Souza.






