Transformação digital

Índice aponta avanço no uso de IA e dados, mas queda em tecnologias de fronteira no Brasil

Levantamento da PwC e da Fundação Dom Cabral mostra recuo no engajamento digital e na adoção de inovação emergente

Tempo de leitura: 3 minutos


A edição de 2025 do Índice de Transformação Digital do Brasil (ITDBr), desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com o Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), mostra que as empresas brasileiras avançaram no uso de dados, infraestrutura e inteligência artificial, mas registraram recuos em áreas ligadas a inovação e relacionamento digital com clientes.

O ITDBr médio passou de 3,7 em 2024 para 3,6 em 2025. Apesar da leve queda no índice geral, o estudo aponta evolução em dimensões consideradas estruturais para a maturidade digital.

A tomada de decisão orientada por dados subiu de 3,5 para 4,1. A infraestrutura tecnológica também avançou, passando de 3,6 para 4,3, impulsionada por investimentos em segurança da informação e computação em nuvem. Já a adoção de inteligência artificial cresceu de 20% em 2024 para 51% em 2025.

“Esta edição mostra que as empresas brasileiras estão consolidando avanços importantes em infraestrutura e no uso de dados. A onda da inteligência artificial generativa segue democratizando o uso da IA na força de trabalho para promover uma eficiência operacional mais ampla e massiva e alcançando diretamente o usuário final, por exemplo”, enfatiza Denise Pinheiro, sócia da PwC Brasil.

A executiva diz que o grande passo agora é fazer com que essa base se torne alavanca para inovação e diferenciação competitiva, garantindo que a transformação digital vá além da eficiência, conectada à estratégia da empresa e integrando-a, de forma responsável, de forma mais profunda em diferentes áreas do negócio.

Apesar dos avanços tecnológicos, o estudo aponta fragilidades em governança, relacionamento digital com clientes e adoção de tecnologias de fronteira. No caso do engajamento digital, o índice caiu de 3,8 em 2024 para 3,1 em 2025, indicando menor uso de dados para personalização de estratégias e melhoria da experiência do consumidor.

A maior retração foi registrada na dimensão de fronteira tecnológica, que caiu de 3,9 para 2,0. O indicador mede a capacidade das empresas de explorar tecnologias emergentes e inovadoras. O setor de varejo e consumo apresentou índice de 1,7 nesse quesito.

“O recuo em dimensões como clientes digitais e, de forma mais acentuada, fronteira tecnológica, mostra que as empresas brasileiras ainda enfrentam grandes dificuldades em traduzir os ganhos de eficiência interna em inovação disruptiva e valor tangível para o consumidor. O mercado exige um compromisso mais ousado com tecnologias emergentes, essenciais para a diferenciação competitiva e para o fortalecimento da economia no cenário global”, avalia Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.

Segundo o levantamento, 89% das organizações ainda associam transformação digital principalmente à eficiência operacional e à otimização de processos. O estudo aponta que barreiras estruturais e culturais continuam sendo o principal entrave para quase metade das empresas.

“O desafio central para as organizações brasileiras é manter a consistência das iniciativas e garantir que os ganhos conquistados se tornem duradouros e sustentáveis. O futuro digital dependerá da capacidade de unir tecnologia, governança robusta e cultura organizacional em uma visão estratégica de longo prazo, superando os entraves estruturais para liderar, inovar e gerar impacto positivo”, finaliza a sócia da PwC Brasil.

Tópicos desta reportagem:


Receba em seu email um resumo semanal e GRATUITO com notícias exclusivas e reportagens sobre o mercado de IA no Brasil e no mundo

Subscription Form (#4)