A nova edição do “Raio X do Empreendedor”, levantamento anual realizado pelo G4, indica um descompasso relevante entre intenção e prática na adoção de inteligência artificial pelas Pequenas e Médias Empresas (PMEs) brasileiras.
O estudo revela o chamado “Abismo da Execução Tecnológica”: enquanto 59,1% dos entrevistados apontam IA e automação como tendências cruciais para o sucesso em 2026, somente 22% afirmam usar a tecnologia de maneira estruturada.
O contraste se amplia diante do fato de que 38% das empresas ainda operam de forma considerada artesanal, com forte dependência de planilhas e de pessoas-chave. Além disso, 53% reconhecem a importância da IA, mas admitem não saber como colocá-la em prática.
Para Misa Antonini, CEO do G4, o cenário evidencia um gargalo na execução. “O mercado já entendeu que precisa incorporar inteligência artificial à operação, mas ainda não domina o ‘como fazer’. Investir em capacitação contínua e em ferramentas modernas de gestão é essencial para acelerar o crescimento das empresas, independentemente do porte ou setor”, avalia.
Na comparação com a edição anterior do levantamento, a categoria “IA e automação” avançou cerca de seis pontos percentuais entre as prioridades estratégicas das PMEs, superando “eficiência operacional”, que liderava em 2025 com 56% das menções. Ao todo, o estudo ouviu mais de 800 empreendedores, dos quais cerca de 70% são sócios ou fundadores.
IA na prática
Segundo o G4, a própria trajetória da companhia reforça a tese do “abismo da execução”. Nos últimos três anos, a empresa afirma ter ampliado a receita em 500%, mantendo o quadro de colaboradores praticamente estável. O resultado foi atribuído à integração da inteligência artificial na estrutura das áreas, e não apenas ao uso pontual de ferramentas.
“O empresário já entendeu o ‘porquê’, mas ainda encontra dificuldades no ‘como’. No G4, mostramos que a IA não deve ser vista como custo de TI, mas como alavanca de margem. Ao romper a relação linear entre faturamento e tamanho da equipe, alcançamos R$ 509 milhões de receita no último ano, demonstrando que a tecnologia estruturada permite escalar sem aumento proporcional de custos”, afirma Antonini.
Perfil dos entrevistados
Entre os participantes do levantamento, 48% comandam empresas com faturamento anual entre R$ 1 milhão e R$ 50 milhões; 43% atuam em negócios que faturam até R$ 1 milhão; e 9% estão à frente de companhias com receita superior a R$ 50 milhões.
No recorte setorial, predominam empresas de serviços (69,5%), seguidas por comércio e varejo (20,3%) e indústria (8%). Outros segmentos representam 2,2% da amostra.
Regionalmente, embora haja maior concentração no Sul e Sudeste (52%), o estudo reuniu empreendedores de todas as regiões do país: 17% estão no Nordeste, Centro-Oeste ou Norte, e 30% têm atuação em múltiplas regiões — sendo cerca de 10% com presença nas cinco regiões brasileiras.






