Apesar do avanço dos investimentos em inteligência artificial, poucas empresas da América Latina conseguem transformar esses aportes em ganhos concretos de desempenho. É o que mostra uma pesquisa da McKinsey realizada com mais de 120 diretores de operações (COOs) da região. Segundo o levantamento, mais de 90% dos executivos pretendem ampliar os investimentos em digitalização, automação e IA, mas apenas 17% afirmam ter alcançado o retorno esperado — índice inferior aos 30% registrados globalmente.
O estudo, divulgado em julho de 2026, aponta que o principal desafio não está apenas na adoção da tecnologia, mas na forma como a transformação digital vem sendo conduzida. A pesquisa mostra que a qualificação das equipes ainda recebe menos atenção na América Latina: 35% dos COOs da região apontam a requalificação da força de trabalho como um dos principais desafios, enquanto esse percentual chega a 49% no cenário global. Além disso, somente 7% das empresas latino-americanas afirmam ter implementado inteligência artificial em escala, ante 11% no restante do mundo.
Para Alex Ferreira, fundador da FMG e especialista em implementação de IA em operações empresariais, os números refletem uma estratégia equivocada adotada por parte das organizações.
“Sete em cada dez empresas que chegam até a FMG querem tirar pessoas da operação. Muitas vezes, a primeira pergunta é como substituir equipes por IA, quando deveria ser como aumentar a capacidade dessas pessoas usando a tecnologia. A empresa pode até reduzir custo no curto prazo, mas corre o risco de eliminar justamente o conhecimento que faria a IA funcionar”, afirma.
Segundo Ferreira, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, capaz de ampliar a produtividade das equipes, e não simplesmente substituí-las. Na avaliação do executivo, a geração de valor depende da combinação entre tecnologia, profissionais qualificados e processos bem estruturados.
O especialista, que atuou em projetos de transformação tecnológica em empresas como XP, Einstein, BV, Itaú e Digio, afirma que há uma diferença importante entre uma estratégia de automação e iniciativas focadas apenas na redução de custos.
“O profissional mais valorizado nesse cenário não é aquele que compete com a IA, mas quem consegue direcioná-la, avaliar seus resultados e aplicar o conhecimento do negócio para tomar decisões melhores. A tecnologia depende de contexto, e isso só é possível a partir da análise humana”, explica.
Para o executivo, organizações que pretendem ampliar o uso de inteligência artificial precisam investir simultaneamente em capacitação, revisão de processos e desenvolvimento das equipes para aumentar as chances de capturar os ganhos prometidos pela tecnologia.






