O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, publicou nesta segunda-feira (10) um manifesto sobre o futuro da inteligência artificial no qual defende que a chamada superinteligência deve ser disponibilizada amplamente às pessoas, em vez de ficar concentrada em poucas instituições e empresas. Segundo ele, a tecnologia poderá, nos próximos anos, ajudar indivíduos a criar negócios, desenvolver novas ideias, aprender, avançar pesquisas científicas e melhorar a saúde e a qualidade de vida.
O artigo original em inglês está disponível neste link.
Zuckerberg afirma que a definição de quem terá acesso à superinteligência e para quais objetivos ela será direcionada está entre as principais questões da atualidade. Sua proposta se baseia em três princípios: empoderamento individual como fonte de prosperidade, invenção como principal finalidade da superinteligência e equilíbrio de poder como fundamento da segurança.
O executivo também critica a concentração de poder como resposta aos riscos da IA. Segundo ele, a ideia de que a superinteligência seria tão perigosa que precisaria ser controlada por um pequeno grupo de instituições é problemática. Zuckerberg afirma ainda que valores como liberdade, investigação aberta, livre iniciativa e igualdade de oportunidades devem orientar a construção desse futuro.

Superinteligência como ferramenta pessoal
No manifesto, Zuckerberg descreve uma visão na qual cada pessoa teria acesso a um agente pessoal de IA capaz de compreender seus objetivos e atuar continuamente em diferentes áreas da vida. Esses agentes poderiam auxiliar em relacionamentos, saúde, carreira, finanças, administração da casa e hobbies.
Ele afirma que esses sistemas teriam opções de privacidade e segurança e poderiam ser utilizados em diferentes dispositivos, inclusive óculos. Como exemplos pessoais, Zuckerberg relata que seu agente já o ajuda a encontrar informações, desenvolver protótipos de ideias e acompanhar seus treinamentos. Também afirma que o sistema ajuda sua família a planejar receitas e comprar ingredientes.
Outra frente seria a criação. Segundo Zuckerberg, crianças e adultos poderão usar ferramentas de IA para transformar ideias em códigos, vídeos, produtos e outros projetos. O executivo também prevê impacto sobre o empreendedorismo. Segundo ele, ferramentas de superinteligência permitirão que pessoas desenvolvam ideias sem necessariamente precisar levantar capital ou montar grandes equipes. Na avaliação de Zuckerberg, isso deverá aumentar o número de ideias e empresas e poderá resultar em maior crescimento econômico e, ao longo do tempo, mais empregos.
A educação também aparece entre as aplicações. Zuckerberg prevê que todos poderão ter acesso a um tutor e coach personalizado, com conhecimento equivalente ao de um especialista com PhD e disponibilidade ilimitada para ensinar diferentes assuntos, desde conteúdos escolares até idiomas, habilidades profissionais e hobbies.

Zuckerberg prevê crescimento de empregos
Uma das principais teses do manifesto é que a superinteligência não necessariamente provocará uma redução geral do emprego. Zuckerberg afirma que existe um equilíbrio natural entre empresas que utilizam automação para atender às necessidades das pessoas de maneira mais eficiente e indivíduos que desenvolvem novas habilidades para atender a necessidades mais avançadas.
Segundo ele, o resultado dependerá da velocidade com que a automação avançará em relação ao aumento das capacidades individuais e da criação de novas demandas. Se a automação do trabalho intelectual avançar mais rapidamente, a transição poderá ser mais difícil. Já a disseminação de agentes pessoais de superinteligência, na avaliação do executivo, poderá aumentar a capacidade dos indivíduos e favorecer um cenário positivo.
Zuckerberg também argumenta que a capacidade computacional continuará sendo limitada e, portanto, haverá um custo de oportunidade na utilização da IA. Se a tecnologia puder ser usada para inventar produtos e serviços de alto valor, afirma ele, poderá ser mais vantajoso direcioná-la para essas atividades do que para automatizar trabalhos existentes.
O executivo cita profissões que surgiram ou se tornaram relevantes nas últimas décadas, como desenvolvedores de aplicativos, criadores de conteúdo para redes sociais, técnicos de veículos elétricos e operadores de data centers. Para o futuro, prevê ocupações como estúdios individuais de produtos personalizados, profissionais responsáveis pela criação de mundos e experiências para jogos e histórias e biólogos pessoais que utilizem superinteligência para formular tratamentos personalizados.
Para Zuckerberg, o processo seria uma continuidade de transformações históricas provocadas pela tecnologia. Ele lembra que, antes da Revolução Industrial, 90% das pessoas trabalhavam na agricultura para produzir alimentos para sua própria sobrevivência. Com os avanços tecnológicos, afirma, parte da humanidade passou a dedicar mais tempo à criatividade, cultura, relacionamentos e outras atividades.
Ele reconhece que as formas de trabalho deverão mudar e que a adaptação será desafiadora. Ao mesmo tempo, afirma que agentes pessoais capazes de ensinar novas habilidades poderão facilitar essa transição.

Empresas menores e mais impacto
Zuckerberg também prevê uma mudança no tamanho das empresas. Segundo ele, companhias poderão ter equipes menores, sem que isso signifique necessariamente menos empregos. Em sua visão, poderá existir um número maior de empresas com menos funcionários em cada uma.
O executivo prevê ainda que pessoas equipadas com agentes pessoais de superinteligência poderão administrar empresas de escala significativa com equipes reduzidas. Para ele, pequenas empresas continuarão sendo a base da economia, mas cada uma poderá ter um impacto muito maior.
Meta promete acesso gratuito ou de baixo custo
No manifesto, Zuckerberg afirma que a Meta pretende concentrar seus esforços em disponibilizar superinteligência pessoal para bilhões de pessoas e pequenas empresas. A companhia pretende, segundo ele, desenvolver modelos avançados e ampliar sua disponibilidade, inclusive por meio de versões gratuitas ou de baixo custo.
Para usuários que quiserem utilizar mais capacidade computacional, a empresa pretende adotar um mecanismo de leilão dinâmico que, segundo Zuckerberg, deverá garantir o menor preço possível para a inteligência e a capacidade computacional utilizadas, ao mesmo tempo em que direcionará a capacidade para aquilo que as pessoas considerarem mais valioso.
Ele também afirma que a Meta pretende desenvolver um modo totalmente privado, no qual nem mesmo a empresa poderá visualizar ou conceder acesso às informações dos usuários. O alinhamento dos sistemas, segundo Zuckerberg, será definido como a capacidade de ajudar cada pessoa a alcançar seus próprios objetivos, e não os objetivos da Meta.
Código aberto e governança
Zuckerberg também defende o código aberto como uma forma de ampliar o poder das pessoas e evitar a centralização da superinteligência. Ele afirma que a Meta continua apoiando modelos de IA de código aberto e considera um erro restringir o atual ecossistema. Segundo o executivo, a empresa voltará a lançar alguns modelos de código aberto em breve, após a criação do Meta Superintelligence Labs.
O manifesto também defende estruturas independentes de governança e supervisão. Zuckerberg afirma que não considera adequado que ele próprio, a Meta ou qualquer outra pessoa seja o único responsável por decidir como a superinteligência será implementada.
Segundo ele, a Meta está criando uma estrutura na qual seu conselho de administração independente terá autoridade para aprovar os critérios de segurança para o lançamento de modelos e avaliar se cada lançamento segue essas regras. Zuckerberg afirma que uma estrutura semelhante poderia ser adotada por outras empresas e que um processo desse tipo em escala setorial poderia contribuir para a governança da indústria.
Zuckerberg defende participação do governo
Por fim, o executivo afirma que políticas governamentais serão necessárias para garantir um futuro positivo e reduzir os riscos relacionados à superinteligência.
Ele defende maior cooperação entre os laboratórios de fronteira e o governo e afirma que é importante que o governo tenha recursos técnicos para proteger sistemas críticos e utilizar modelos avançados. Ao mesmo tempo, considera necessário preservar a liderança da indústria americana de IA.
Zuckerberg defende a aceleração da construção de infraestrutura, incluindo energia, data centers e semicondutores, além da construção de confiança e alinhamento com comunidades nos Estados Unidos. Ele afirma que políticas que possam reduzir a competitividade americana devem ser analisadas com cautela.
O executivo também diz que é necessário desconfiar de propostas que levem à centralização da superinteligência e priorizar políticas que promovam um equilíbrio de poder favorável às pessoas.






