Enquanto as empresas buscam estabelecer limites para o uso de inteligência artificial, funcionários encontram alternativas para continuar utilizando a tecnologia e manter a produtividade. Um levantamento da KnowBe4, empresa global de segurança da força de trabalho digital, mostra que 40% dos profissionais brasileiros recorrem a ferramentas próprias de IA no trabalho. Desse total, 13,5% dão preferência às soluções pessoais em vez das plataformas autorizadas pelas organizações.
O movimento, conhecido como “Shadow AI” e caracterizado pelo uso de aplicações de inteligência artificial sem autorização corporativa, aumenta a exposição das empresas a riscos operacionais e de segurança. Segundo a pesquisa, 49,5% dos entrevistados consideram que o compartilhamento de informações confidenciais em ferramentas de IA não verificadas representa uma ameaça relevante para as organizações.
Os números ajudam a explicar por que simplesmente restringir o acesso à IA pode não ser suficiente. Nos últimos 12 meses, 51% dos líderes de segurança ouvidos pela KnowBe4 afirmaram que o uso não autorizado de softwares e aplicações de inteligência artificial afetou diretamente a postura de segurança de suas empresas.
“A cibersegurança entrou em uma fase volátil, na qual as organizações estão tentando proteger uma força de trabalho híbrida composta por pessoas e agentes de IA. É um ambiente dinâmico que está mudando mais rápido do que os líderes de segurança conseguem acompanhar”, afirmou Rafael Peruch, CISO Advisor Técnico da KnowBe4.
Os dados da KnowBe4 acompanham uma tendência mais ampla observada no mercado brasileiro em 2026. Pesquisa da Read AI aponta que 68% dos profissionais do país utilizam ferramentas de inteligência artificial diariamente no trabalho, mas somente 31% contam com acesso oficial ou treinamento adequado oferecido pelos empregadores. A diferença entre o uso cotidiano da tecnologia e o suporte fornecido pelas empresas contribui para que funcionários recorram a soluções não autorizadas para atender às demandas profissionais.
Fadiga humana e sobrecarga ampliam riscos de segurança
Além das ameaças relacionadas diretamente ao Shadow AI, ambientes profissionais submetidos a pressão elevada também aumentam a exposição a falhas humanas. O levantamento da KnowBe4 mostra que 62% dos funcionários brasileiros reconhecem que fatores como falta de tempo, excesso de tarefas e distrações no ambiente corporativo contribuem diretamente para erros de segurança, mesmo quando conhecem os procedimentos que deveriam seguir.
Entre os líderes de cibersegurança, 43% apontam as distrações no ambiente de trabalho como uma das principais origens de falhas humanas. Outros 65% identificam erros não intencionais cometidos durante atividades rotineiras como o principal fator de risco.
Apesar do avanço da conscientização sobre o tema, apenas 33% das organizações brasileiras participantes da pesquisa alcançaram o modelo de maturidade em segurança classificado como “padrão de ouro”. O conceito considera uma cultura capaz de administrar simultaneamente os riscos associados aos seres humanos e à inteligência artificial.
Por outro lado, 95% dos líderes brasileiros de segurança dizem confiar na preparação de suas organizações para lidar com ameaças emergentes relacionadas à IA nos próximos 12 meses. O resultado indica uma mudança na percepção das lideranças sobre a necessidade de preparar as empresas para um cenário em que pessoas e sistemas de inteligência artificial atuam de forma cada vez mais integrada.






