O supercomputador Santos Dumont, localizado em Petrópolis (RJ), recebeu uma ampliação que multiplicou por quatro sua capacidade de processamento. A modernização, liderada pela Eviden e baseada em tecnologias de ponta da NVIDIA, Intel e AMD, representa um avanço relevante na consolidação do equipamento como um dos mais potentes do mundo.
A iniciativa integra o primeiro ciclo de aportes do Governo Federal dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê um total de R$ 23 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos. Desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o supercomputador já foi utilizado em milhares de projetos acadêmicos. Um dos casos de destaque foi o sequenciamento do genoma da COVID-19 em 2020, conduzido pela Dra. Ana Teresa Vasconcelos.
Qualquer pesquisador ou instituição nacional pode solicitar acesso ao Santos Dumont, que continua sendo apoiado pela Petrobras, inclusive na nova fase de expansão.
“Essa nova atualização do Santos Dumont tem como objetivo ampliar sua capacidade de processamento, permitindo maior robustez nos cálculos destinados à pesquisa, especialmente com o uso de inteligência artificial”, afirma Fábio Borges, presidente do LNCC.
Esta segunda fase de atualização, conduzida pela Eviden, utiliza a arquitetura BullSequana XH3000 — uma plataforma escalável fabricada na França — que possibilitou o salto de desempenho. Com a expansão, o supercomputador atinge 18,85 petaflops (trilhões de bilhões de operações por segundo), o que corresponde a um crescimento de cerca de 575% em relação à sua configuração original, de 2015.

“As tecnologias de computação e inteligência artificial são a base de qualquer avanço científico e inovador, permitindo que pesquisadores enfrentem os maiores desafios da humanidade. Liderar e apoiar essa nova expansão do Santos Dumont é motivo de grande orgulho para a equipe da Eviden, pois oferece aos pesquisadores do LNCC maior poder computacional e recursos adicionais dedicados à IA, enquanto aprimora continuamente a eficiência energética do supercomputador”, diz Luis Casuscelli, Head de HPC na América do Sul da Eviden, Grupo Atos.
A atualização é composta por cinco módulos distintos. O principal deles conta com 62 blades BullSequana XH3145-H, cada um equipado com processadores Intel® Xeon® Scalable de 4ª geração e quatro GPUs NVIDIA H100, interligadas por NVLINK. A segunda maior partição tem 20 blades BullSequana XH3420, somando 60 nós com processadores AMD EPYC™ 9684X. Já a terceira unidade inclui 36 blades BullSequana XH3515-H com quatro NVIDIA Grace Hopper Superchips cada.
Outros módulos complementares incluem seis blades com 18 nós operando com APUs AMD Instinct™ MI300A, além de quatro nós equipados com CPUs NVIDIA Grace Superchip. Toda a infraestrutura é conectada por uma rede Infiniband NDR da NVIDIA, operando a 400 Gbps, sem gargalos. No novo arranjo, cada nó acelerado da BullSequana XH3515-H possui quatro CPUs Grace integradas a quatro GPUs Hopper, projetadas para lidar com grandes volumes de dados em ambientes computacionais complexos, com foco em eficiência energética — um fator-chave para aplicações em inteligência artificial.
“Com cada nova atualização, a capacidade de processamento aumenta, os horizontes da pesquisa se expandem, e o supercomputador também se torna menor e mais eficiente, garantindo menor consumo de energia. Essa é uma tendência importante para o desenvolvimento da IA, uma vez que essa tecnologia demanda grande quantidade de energia. Quanto mais eficiente for, maior poderá ser sua expansão, assegurando a sustentabilidade”, destaca Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para a América Latina.






