Fraudes com IA

Fraudes com deepfakes crescem 126% no Brasil em 2025, aponta Sumsub

País concentra quase 39% dos deepfakes detectados na América Latina, segundo o Identity Fraud Report 2025–2026

Tempo de leitura: 3 minutos


Um novo relatório da Sumsub aponta que as fraudes envolvendo deepfakes no Brasil cresceram 126% em 2025. Com esse avanço, o país permaneceu responsável por cerca de 39% de todos os deepfakes identificados na América Latina. Em outros mercados da região, como Guatemala, México, Panamá e Suriname, o crescimento desse tipo de fraude variou entre 400% e 500%.

O levantamento corresponde à quinta edição do Identity Fraud Report 2025–2026 (disponível neste link), que avaliou milhões de processos de verificação e mais de 4 milhões de tentativas de fraude registradas entre 2024 e 2025.

No período analisado, a taxa de fraudes na América Latina e no Caribe aumentou 13,3%. Além disso, 86% dos entrevistados afirmaram que os golpes estão mais sofisticados e cada vez mais associados ao uso de inteligência artificial.

Na região, 43% das empresas relataram ter sofrido algum tipo de fraude em 2025. Entre as organizações afetadas, 100% foram alvo de ataques de phishing, enquanto apenas 43% comunicaram casos de fraude de identidade às autoridades. Do lado dos usuários, 68% afirmaram ter sido vítimas de fraude no mesmo ano. Desses, 63% tiveram contas de redes sociais comprometidas, 10% perderam acesso a logins governamentais e 31% relataram abordagens para atuar como “mulas de dinheiro”.

No recorte brasileiro, a taxa geral de fraude de identidade recuou 10% entre 2024 e 2025. Ainda assim, os casos envolvendo deepfakes e identidades sintéticas avançaram 126%, mantendo o país como principal foco desse tipo de fraude na América Latina. Em outros países da região, como Guatemala, México, Panamá e Suriname, os deepfakes apresentaram taxas de crescimento entre 400% e 500%.

De acordo com Georgia Sanches, Líder de Negócios da Sumsub no Brasil, a América Latina está entrando em uma nova era de sofisticação da fraude, onde deepfakes gerados por IA e identidades sintéticas estão remodelando o cenário de ameaças.

“As organizações devem ir além dos controles manuais e adotar estratégias adaptativas, impulsionadas por IA, para se manterem à frente dessas ameaças que avançam rapidamente”, disse.

Tendências e orientações para 2026

O relatório indica que, em 2026, a América Latina deve continuar apresentando um cenário polarizado. Enquanto alguns países devem registrar aumento no volume de fraudes, outros — como o Brasil — tendem a reportar menos ocorrências, porém associadas a esquemas mais complexos e com maior impacto.

Segundo o estudo, deepfakes e identidades sintéticas deixaram de ser recursos pontuais e passaram a integrar o núcleo das fraudes, combinando manipulação facial, de voz e comportamental para contornar provas de vida, processos de validação de identidade e equipes de atendimento. Paralelamente, ecossistemas sintéticos, identidades inteiramente geradas por IA e ataques direcionados à camada de telemetria ganham espaço, permitindo operações em larga escala e com maior grau de automação.

Nesse cenário, a prevenção a fraudes deve depender cada vez mais de estratégias adaptativas. O relatório aponta como essenciais a adoção de tecnologias baseadas em IA, biometria comportamental, verificações em múltiplas camadas, monitoramento contínuo e o compartilhamento de inteligência em níveis global e regional. A confiança, segundo o estudo, tende a ser construída e reavaliada a cada interação.

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