A ausência de uma legislação definitiva sobre o treinamento de modelos de inteligência artificial no Brasil aumenta a complexidade para investimentos em infraestrutura voltada a essa tecnologia. É o que aponta um novo relatório da Moody’s sobre perspectivas para o mercado global de data centers.
Em contrapartida, regiões que avançam em marcos legais mais favoráveis devem continuar atraindo novos empreendimentos.
O documento aponta que alguns países e mercados já promovem ajustes em seus arcabouços regulatórios para estimular a construção de data centers dedicados à inteligência artificial, como ocorre com o projeto de lei Redata no Brasil ou com a recente ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca antecipar a regulação federal e evitar um mosaico de normas estaduais que aumentariam os custos de compliance.
A Moody’s indica ainda que a demanda por capacidade de data centers para suportar inteligência artificial, computação em nuvem e serviços de internet deve seguir crescendo de forma acentuada ao longo de 2026. Grande parte dessa nova oferta já nasce pré-alugada por grandes empresas de tecnologia e hiperescaladores, o que reduz o risco de excesso de capacidade ociosa, mas amplia a concentração de contrapartes no mercado.
Projeções indicam que a capacidade instalada continuará crescendo em ritmo de dois dígitos, à medida que os inquilinos monetizam rapidamente as novas instalações. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo global de eletricidade dos data centers deve atingir cerca de 600 terawatts-hora (TWh) em 2026, ante 525 TWh estimados para 2025 e 436 TWh registrados em 2024.
Apesar do avanço, o relatório diz que fatores como risco regulatório e restrições energéticas seguem limitando o desenvolvimento em alguns mercados. A oposição local a novos projetos tem crescido em determinadas regiões, impulsionada por preocupações relacionadas ao consumo de energia e água. Ainda assim, localidades com legislações mais favoráveis tendem a continuar recebendo investimentos, sobretudo aquelas que ajustam regras para viabilizar data centers voltados à IA.
Para acelerar prazos de entrega, alguns inquilinos passaram a assumir riscos que tradicionalmente ficavam a cargo dos desenvolvedores, como flexibilizações relacionadas à disponibilidade de energia e serviços públicos. Esse movimento ocorre em meio ao aumento dos riscos de construção, impulsionados pela elevada demanda global por mão de obra especializada, equipamentos críticos e commodities, o que pressiona tanto os custos de implantação quanto os custos operacionais.
No mercado financeiro, bancos e investidores institucionais seguem adaptando estruturas para financiar a rápida expansão dos data centers de hiperescala. Contrapartes com histórico de crédito sólido continuam sendo um fator central para viabilizar projetos, mesmo quando a capacidade é majoritariamente utilizada por startups de inteligência artificial. Além disso, o alto custo das unidades de processamento gráfico (GPUs) tem levado desenvolvedores e usuários a buscar fontes alternativas de financiamento, ampliando a diversificação de capital no setor.






