A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) manifestou preocupação diante da recente decisão do governo norte-americano de impor tarifas adicionais sobre centenas de produtos brasileiros. Embora o segmento de software e serviços de tecnologia da informação não esteja diretamente incluído na nova lista tarifária, a entidade alerta para os efeitos indiretos sobre a cadeia produtiva, os investimentos em inovação e a economia nacional como um todo.
Indústrias fortemente dependentes de exportações, como carnes, café, soja e manufaturados, devem ser duramente impactadas pelas novas taxas, o que pode resultar em queda de receitas e retração nos investimentos. Para a ABES, esse cenário compromete também o avanço em tecnologias emergentes como inteligência artificial e automação, consideradas hoje uma chance estratégica para o Brasil ganhar protagonismo no cenário global.
“Reforçamos que, mesmo com impacto direto limitado ao setor de software, os efeitos colaterais sobre nossos clientes e sobre o ambiente de negócios são relevantes e preocupam”, declarou a entidade.
A ABES afirma que o Brasil não pode desperdiçar a oportunidade da transformação digital promovido por novas tecnologias. “Preservar a estabilidade, fomentar a inovação e assegurar que as empresas — especialmente as micro e pequenas, que representam a maioria dos nossos associados — sigam crescendo com competitividade e sustentabilidade é fundamental”, acrescentou a associação.
A entidade destacou ainda que vem mantendo diálogo contínuo com o governo brasileiro, especialmente com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que lidera as negociações com os Estados Unidos. “Defendemos que qualquer resposta deve evitar uma escalada comercial e priorizar a via diplomática, única alternativa capaz de reduzir os prejuízos e construir caminhos sustentáveis para a economia de ambos os países”, pontua a entidade.
A ABES conclui dizendo que continuará atuando de forma ativa e vigilante junto ao setor público e à iniciativa privada, em defesa de um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento tecnológico no país.
“Nosso setor tem presença transversal na economia — atendemos desde pequenos empreendimentos até grandes indústrias e instituições financeiras — e, por isso, sentimos diretamente os reflexos das dificuldades enfrentadas por outros segmentos”, finalizou a ABES.






