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Afinal, a Inteligência Artificial é uma ameaça ou uma aliada do audiovisual?

IA não é uma substituta, mas uma aliada que tira o peso dos ombros de equipes e libera espaço para criatividade, escreve Matheus Lins

Tempo de leitura: 3 minutos


É curioso como toda nova tecnologia chega cercada de entusiasmo e medo. Com a inteligência artificial, não tem sido diferente – especialmente no universo do audiovisual. Há quem a veja como uma ameaça à criatividade e aos empregos. Mas será mesmo?

Antes de tudo, vale entender o que estamos chamando de IA no contexto da produção audiovisual. Não estamos falando apenas de robôs que escrevem roteiros ou criam vídeos do zero. A IA já está presente em ferramentas que otimizam edição, criam transições, geram legendas automáticas, corrigem cor, identificam os melhores trechos de uma gravação, removem ruídos, recriam cenários e até constroem um vídeo inteiro a partir de um prompt de texto. Tudo isso, com uma velocidade que seria impensável há poucos anos.

Esse avanço não é o futuro, é o presente. Ferramentas como Runway, Descript e Adobe Sensei já estão sendo utilizadas por produtoras do mundo todo para acelerar fluxos de trabalho e entregar resultados com mais agilidade. Plataformas como o TikTok e o YouTube têm investido pesado em IA para melhorar experiências de criação e consumo.

Mas o que isso significa, na prática, para quem vive de audiovisual?

Significa que a forma de produzir vai mudar. Radicalmente. E, como em qualquer mudança de paradigma, é natural que surjam resistências. Afinal, estamos falando de um setor historicamente baseado em mão de obra intensiva, processos artesanais e criatividade humana.

Só que aqui vai um ponto importante: a IA não é uma substituta. Ela é uma ferramenta. Uma aliada. Quando bem utilizada, ela tira o peso dos ombros da equipe e libera espaço para o que realmente importa: contar histórias com estratégia, sensibilidade e impacto.

Na Trinta Dezessete, por exemplo, já usamos IA para criar locução, clonar vozes, montar storyboards, e mais uma série de processos que, sem a ajuda da Inteligência Artificial, levariam horas ou até dias.

No meu processo, particularmente, a IA está presente desde o início. Não para pensar por mim, mas para turbinar o meu raciocínio. Ela me ajuda a transformar ideias soltas e insights que tive ao longo de um dia de trabalho em estruturas coerentes. Ao invés de gastar horas montando uma espinha dorsal, consigo avançar mais rápido para o que realmente importa: a construção de uma narrativa estratégica, que realmente se conecte com o público.

E em outros setores?

Apesar de todas as facilidades que traz para o dia a dia do audiovisual, isso não quer dizer que o impacto seja neutro. O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2030, a IA e o processamento de dados devem eliminar cerca de 11 milhões de empregos, mas criar outros 9 milhões. Kristalina Georgieva, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), já afirmou que a evolução destas novas tecnologias é similar a uma nova “revolução industrial”. Com isso, podemos prever uma queda em vagas que podem ser substituídas por automações.

Já em áreas que exigem novas habilidades, como pensamento criativo, análise crítica e domínio de tecnologias emergentes, as oportunidades tendem a crescer.  Ou seja: o futuro não será para quem resiste, mas para quem se adapta.

A boa notícia é que há espaço para todos que quiserem aprender. O mercado vai precisar de roteiristas que saibam colaborar com IA, editores que compreendam fluxos híbridos, criadores com visão estratégica.

O conteúdo continua sendo rei, mas agora, com um novo trono.randes novas cargas energéticas e impulsionar investimentos e crescimento”, resume o comunicado.

Matheus Lins é fotógrafo e fundador da produtora Trinta Dezessete

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