A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED) reacendeu o debate sobre a qualidade do ensino de medicina no Brasil. Dos 351 cursos avaliados, 107 apresentaram desempenho considerado insatisfatório, evidenciando diferenças significativas na formação oferecida pelas instituições.
A partir desses dados, a plataforma de inteligência educacional SPR Med realizou uma análise dos microdados oficiais do exame. A iniciativa foi liderada pelo cardiologista pediátrico e educador médico Dr. Vinicius Côgo Destefani, fundador da empresa. O estudo gerou 349 dossiês institucionais com base na avaliação de 100 questões do exame, utilizando parâmetros da Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia também adotada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Segundo o levantamento, entre os 39.258 estudantes concluintes avaliados, cerca de 67% atingiram nível de proficiência. O estudo também identificou diferença entre instituições públicas e privadas: universidades federais registraram 83,2% de proficiência, enquanto instituições privadas com fins lucrativos apresentaram 57,2%.
A proposta da SPR Med é utilizar esses dados para apoiar instituições e professores na identificação de lacunas de aprendizagem. A plataforma oferece ferramentas como diagnóstico baseado em TRI (mesma metodologia estatística do INEP), geração de questões calibradas por inteligência artificial, trilhas de estudo individualizadas e relatórios comparativos entre instituições.
“Eu, com o auxílio do SPR Med peguei todos os documentos do MEC, todas as notas técnicas do INEP, e construímos um sistema que lê cada questão do ENAMED do jeito que o próprio INEP lê — e a partir disso, monta a trilha exata que cada aluno precisa para chegar à proficiência”, explica o Dr. Vinicius.
Para o especialista, os resultados do exame também refletem desafios na metodologia de ensino adotada em parte das faculdades. “A maioria das faculdades ainda ensina do mesmo jeito de 30 anos atrás: aula expositiva, slide com 150 páginas, prova decoreba. A ciência da aprendizagem evoluiu enormemente, mas a sala de aula médica parou no tempo”.
Ele também destaca que o exame valoriza raciocínio clínico em vez de memorização de conteúdo. “Com IA, conseguimos fazer em escala o que eu fazia como mentor individual. O aluno recebe exatamente o que precisa, e o professor enxerga onde estão as lacunas da turma”, afirma.
O médico avalia ainda que a pressão sobre os cursos deve aumentar nos próximos anos. “A pressão no ENAMED 2026 vai aumentar. Em 2026, o ENAMED será aplicado no 4º e 6º ano, e o MEC fará visitas presenciais a todos os cursos de medicina do Brasil. As faculdades que não se prepararem agora vão enfrentar consequências ainda mais severas. A janela de oportunidade para mudar é agora.”






