Apesar do interesse crescente por inteligência artificial no setor de saúde, apenas 9% dos profissionais atuam em hospitais que adotam oficialmente essa tecnologia em seus processos de gestão. Além disso, somente 13% percebem o uso da IA de forma integrada às operações institucionais.
Os dados são de um levantamento realizado pelo Opinion Box em parceria com a Rivio, que aponta um descompasso entre o potencial da tecnologia e sua implementação estruturada nas organizações.
Segundo a pesquisa, o acesso às ferramentas deixou de ser o principal desafio. Mais de 70% dos profissionais afirmam utilizar inteligência artificial em alguma medida, mas, na maioria dos casos, o uso ainda ocorre de forma pontual, experimental e sem integração aos processos críticos.
Entre os profissionais que não utilizam IA em suas áreas, as principais barreiras estão relacionadas a fatores internos. Cerca de 20% apontam a ausência de cultura organizacional como obstáculo, 18% citam o desconhecimento das ferramentas e 15% mencionam a falta de capacitação. Apenas 12% indicam o custo como principal impeditivo.
O estudo também destaca a baixa adoção em áreas estratégicas. Apenas 17% das instituições utilizam IA no faturamento, considerado um dos processos mais relevantes para a sustentabilidade financeira dos hospitais.
Dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) indicam que cerca de R$ 5,8 bilhões por ano em receitas hospitalares são retidos por operadoras devido a erros administrativos, falhas de comunicação e inconsistências em registros — áreas em que a IA poderia atuar.
“Existe uma grande oportunidade para a inteligência artificial gerar impacto real quando deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a fazer parte dos processos críticos do hospital. Para isso, não basta disponibilizar tecnologia. É necessária uma mudança estrutural e de prioridade dentro da instituição, integrando profissionais da área assistencial e financeira – como enfermeiros, gestores e especialistas em faturamento – com engenheiros e especialistas em tecnologia para desenvolver soluções que façam sentido para a operação”, afirma Bruno Brasil, head de Operações da Rivio.






