Após captar R$ 40 milhões em uma rodada seed liderada pela Canary, com participação da Flourish Ventures e da Caravela Capital, a healthtech Revena registrou crescimento superior a 20 vezes em 2025 e projeta uma nova expansão de dez vezes em 2026.
A empresa desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para otimizar o ciclo de receita hospitalar, automatizando a análise de prontuários, contratos e regras operacionais para reduzir perdas financeiras e aumentar a eficiência do faturamento. Atualmente, a Revena atende 60 hospitais, incluindo quatro das dez maiores redes hospitalares do país.
Fundada por Mateus Noronha, ex-cofundador da Eduqo, e Diogo Freitas, que participou da expansão da Buser, a empresa surgiu após os empreendedores acompanharem de perto a rotina hospitalar para identificar oportunidades de aplicação da IA. Segundo os fundadores, o principal gargalo estava na dificuldade de transformar registros clínicos e administrativos em contas médicas completas e corretamente faturadas.
A plataforma cruza informações clínicas, contratos com operadoras de saúde, protocolos hospitalares e dados dos sistemas de gestão para identificar inconsistências, oportunidades de faturamento e itens que poderiam deixar de ser cobrados. A inteligência artificial interpreta cláusulas contratuais, analisa prescrições, exames, evoluções médicas e demais registros para gerar contas médicas mais completas e auditáveis. Nos casos em que a confiança do modelo é menor, especialistas fazem a revisão e alimentam novamente o sistema.
Segundo a empresa, os projetos já implementados identificaram entre 5% e 12% de perdas evitáveis no faturamento hospitalar, reduziram de 55% a 75% o esforço operacional em atividades de conferência e auditoria de contas e diminuíram o prazo de fechamento das contas para até 48 horas.
Com base nesses resultados, a Revena estima que a adoção da tecnologia em larga escala poderá evitar mais de R$ 20 bilhões em perdas financeiras no sistema hospitalar brasileiro nos próximos anos.
“Os hospitais não precisam apenas de mais automação. Eles precisam de uma nova capacidade operacional para lidar com a complexidade do ciclo de receita. A Revena usa IA para ampliar a precisão das equipes, reduzir perdas evitáveis e dar mais agilidade a um processo que ainda depende de muito esforço manual”, afirma Mateus Noronha, CEO e fundador da empresa.
Como parte da estratégia de expansão, a healthtech também reforçou sua equipe executiva com a contratação de Adriana Rangel para o cargo de CMO. A executiva, que passou por empresas como Microsoft, HPE, VMware, UiPath e Nilo Saúde, será responsável por fortalecer o posicionamento da marca e apoiar a expansão da companhia junto ao setor hospitalar.
“Existe uma discussão crescente sobre IA na saúde, mas ainda muito concentrada na assistência. A Revena está levando essa conversa para uma dimensão igualmente estratégica: a eficiência financeira dos hospitais. Nosso papel é mostrar que ciclo de receita não é apenas uma área operacional. É uma frente crítica para margem, caixa e sustentabilidade do setor”, afirma Adriana Rangel.
Para Mateus Noronha, a próxima etapa da transformação digital na saúde passa pela gestão financeira. “Durante muito tempo, hospitais investiram em tecnologia para melhorar a assistência. Agora, a próxima fronteira está em aplicar inteligência ao que sustenta economicamente essa assistência. A conta médica é onde cuidado, contrato e caixa se encontram. É também um dos maiores pontos de perda financeira da saúde. É ali que a Revena quer construir a infraestrutura de IA do ciclo da receita hospitalar”, conclui.






