A Benner anunciou uma estratégia para ampliar o uso de inteligência artificial em suas soluções de gestão empresarial. A companhia informou que investiu cerca de R$ 50 milhões na área e pretende incorporar a tecnologia aos processos corporativos de forma governada, com mecanismos de segurança, auditoria e controle voltados às operações críticas dos clientes.
Segundo a empresa, a estratégia se materializa em duas novas soluções: o Atelier, plataforma para criação de agentes de inteligência artificial, e o Elos, hub voltado à integração de sistemas e ao gerenciamento desses agentes.
De acordo com José Guilherme Merchiori, diretor de Tecnologia e Inovação da Benner, o objetivo é oferecer ferramentas prontas para uso, mantendo o controle sobre a atuação da IA dentro das organizações. “Qualquer empresa adota IA hoje. O que muda é a governança, com cada agente operando dentro de regras, permissões, trilhas de auditoria e acompanhamento de custos definidos pela área de tecnologia do cliente, o que garante segurança na operação”, explica o executivo.
Merchiori avalia que a inteligência artificial também deverá transformar a forma como os usuários interagem com os sistemas de gestão. “Não será mais preciso navegar por dezenas de telas ou executar diversos comandos para concluir uma tarefa, visto que a IA muda completamente essa experiência. Por isso, investimos, testamos, aprendemos rápido e firmamos parcerias, sempre com foco na sustentabilidade do negócio”, afirma.
O Atelier permite que áreas de negócio criem agentes de IA utilizando comandos em linguagem natural, sem necessidade de programação. Os usuários podem definir objetivos, níveis de autonomia e fontes de dados autorizadas, enquanto a plataforma registra todas as operações e permite o acompanhamento de execuções, aprovações, pendências e custos. Segundo a empresa, diferentemente de ferramentas de IA generativa voltadas à produção de conteúdo, os agentes são capazes de executar tarefas e conduzir processos de forma automatizada.
Já o Elos foi desenvolvido para centralizar a integração entre sistemas internos, aplicações legadas, fornecedores e parceiros. A solução permite configurar diferentes formatos de troca de dados, incluindo APIs, planilhas, arquivos de texto e agentes de IA, além de monitorar transações e identificar falhas durante a operação.

Segundo Merchiori, a plataforma também funcionará como ambiente de registro e gerenciamento de agentes desenvolvidos pela própria Benner ou por terceiros. “Criamos uma pista segura para a gestão dos agentes no sistema, com controle de alçadas e log das transações. Antes de colocar IA para executar tarefas, é preciso ter APIs, dados e processos padronizados e observáveis, e o Elos apoia isso. Projetos de integração apoiados pela solução podem reduzir em até 80% o tempo de implementação, e cada agente será um usuário com funções previamente definidas”, contextualiza.
O CEO da Benner, Severino Benner, afirma que os agentes operam dentro de barreiras de proteção, políticas de aprovação e controles de acesso, com rastreabilidade de todas as ações executadas. “A proposta responde a uma preocupação das empresas ao adotar IA generativa, que é ganhar velocidade sem abrir mão de auditoria, conformidade e previsibilidade de custos. A IA generativa é um assistente para CPFs, mas o Agente é um robô que faz as atividades de um profissional, imputando, analisando e alterando dados, e por isso não pode ser implantado de maneira autônoma sem controle”, explica o executivo.
As primeiras aplicações da nova tecnologia estão concentradas na área jurídica, onde os agentes apoiam atividades como atualização cadastral, análise de documentos, acompanhamento de prazos e organização de informações processuais.
Na área da saúde, a empresa disponibilizou agentes para análise de documentos, exames e laudos durante solicitações de guias de procedimentos médicos. Segundo a Benner, a automação pode reduzir em até 90% das avaliações realizadas pela auditoria prévia desses processos.
A companhia informou ainda que pretende expandir gradualmente o uso da tecnologia para as demais áreas de atuação. Como parte dessa estratégia, criou um comitê multidisciplinar de inteligência artificial e passou a oferecer aos colaboradores licenças corporativas de ferramentas como Anthropic Claude, Microsoft Copilot e Manus, com foco no uso estruturado e gerenciado da tecnologia.
“Nosso objetivo é ser uma grande fábrica de agentes de IA para acelerar a digitalização dos processos de nossos clientes. Com os comitês, estamos definindo as prioridades de cada empresa e impactando os negócios das mais importantes companhias do país”, finaliza.






