O Brasil ainda ocupa um espaço modesto no mercado global de Inteligência Artificial, especialmente na chamada “IA pura”, mas deve ampliar sua relevância na aplicação prática da tecnologia nos próximos anos. A avaliação é de Marcus Taccola, CEO da InfoGo, que vê no país potencial para crescer em áreas como automação de processos, análise de dados e plataformas conversacionais — desde que haja incentivos, visão global e estratégias de internacionalização.
Como você vê o papel do Brasil no mercado global de IA hoje — e qual deve ser o peso do país nesse setor nos próximos anos?
Atualmente, o Brasil ainda tem participação modesta no mercado global de Inteligência Artificial, especialmente em “IA pura”, voltada à pesquisa, desenvolvimento de modelos base e infraestrutura. No entanto, o país demonstra grande potencial no uso aplicado da IA — principalmente quando essa tecnologia é incorporada em produtos e soluções voltadas a problemas reais do mercado.
Nos próximos anos, o peso do Brasil tende a crescer nesse segmento de “IA aplicada”, especialmente em áreas como automação de processos, análise de dados e plataformas conversacionais. Nossa força está na criatividade, na adaptabilidade e na capacidade de transformar desafios locais em soluções escaláveis globalmente.
O que ainda falta para o Brasil avançar mais nesse mercado e aproveitar plenamente as oportunidades atuais?
O principal gargalo não é técnico, mas estrutural e estratégico. Faltam incentivos e uma mentalidade verdadeiramente global — que permita às empresas brasileiras pensar e agir como players internacionais. Além disso, o custo elevado para operar fora do país, aliado à desvalorização cambial e à falta de investimento de risco nacional em larga escala, limita a expansão.
Parcerias com empresas globalizadas, programas de internacionalização e políticas públicas que estimulem exportação tecnológica são essenciais para destravar esse potencial. A boa notícia é que o acesso democratizado à IA generativa equilibra o jogo, permitindo que qualquer desenvolvedor no Brasil tenha hoje ferramentas de ponta para criar soluções inovadoras.

Quais são os maiores desafios na formação de profissionais para atuar com IA no país — e como superá-los?
O grande desafio está em alinhar a formação acadêmica à realidade do mercado. Ainda há uma lacuna entre o que se ensina nas universidades e o que se pratica nas empresas. Falta foco em projetos práticos, interdisciplinaridade e incentivo à pesquisa aplicada. Além disso, muitos talentos acabam sendo atraídos por empresas estrangeiras devido à remuneração e à visibilidade internacional.
Para superar isso, é necessário:
- Fortalecer parcerias entre universidades e empresas de tecnologia;
- Estimular o aprendizado contínuo e acessível (via bootcamps, plataformas online e comunidades abertas);
- Criar programas de incentivo para reter talentos, oferecendo boas condições de trabalho e oportunidades de crescimento local.
Quais são as principais iniciativas ou inovações em IA que sua empresa está desenvolvendo atualmente?
Na nossa plataforma DashGPT, estamos focados em democratizar o acesso a dados e insights empresariais por meio de IA conversacional. Desenvolvemos uma plataforma que permite ao usuário interagir diretamente com o banco de dados por meio de linguagem natural — sem precisar depender da equipe de TI.
A pessoa simplesmente faz uma pergunta (“Como estão as vendas deste trimestre?”) e obtém, instantaneamente, um gráfico, dashboard ou insight visual, de forma intuitiva e segura.
Essa automação transforma a dinâmica das empresas, tornando-as mais ágeis, inteligentes e competitivas. É uma solução 100% nacional, que mostra como a inovação brasileira pode gerar impacto real, inclusive com potencial de internacionalização.







