Embora ainda não figure entre os polos globais de pesquisa em inteligência artificial, o Brasil tem se consolidado como um importante consumidor de soluções baseadas na tecnologia. Em entrevista para a série especial O Futuro da IA no Brasil, o Diretor de Operações da Covenant Technology (do Grupo Crowe Macro Brasil), Jefferson Costa, avalia que o peso do país na IA tende a crescer justamente na aplicação prática de IA em larga escala. O executivo também destaca o desafio de formar profissionais em número suficiente e a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Como você vê o papel do Brasil no mercado global de IA hoje — e qual deve ser o peso do país nesse setor nos próximos anos?
O Brasil hoje não é um polo global de pesquisa em inteligência artificial como Estados Unidos, China ou União Europeia, mas ocupa uma posição importante como consumidor de soluções. Setores como tecnologia, agronegócio, bancos e saúde já utilizam IA de forma intensiva, seja em automação de atendimento, análise preditiva ou monitoramento de dados.
Nos próximos anos, o peso do país tende a crescer justamente na aplicação prática em larga escala. O Brasil é um mercado interno gigante, com milhões de consumidores digitais e empresas de todos os portes.
O que ainda falta para o Brasil avançar mais nesse mercado e aproveitar plenamente as oportunidades atuais?
Investimento em P&D: ainda investimos pouco em pesquisa e desenvolvimento em comparação a outras nações.
Infraestrutura tecnológica: acesso à nuvem, conectividade e dados de qualidade ainda são desafios, especialmente para pequenas empresas e locais remotos.
Ambiente regulatório: o país está em discussão sobre o Projeto de Lei de IA no Congresso, mas ainda falta uma estrutura clara que incentive inovação ao mesmo tempo em que protege usuários.
Integração academia-mercado: o Brasil tem pesquisas relevantes em universidades como USP, Unicamp e UFMG, mas muitas delas não chegam ao mercado em forma de produtos ou startups.

Quais são os maiores desafios na formação de profissionais para atuar com IA no país — e como superá-los?
O principal desafio é formar profissionais em escala. Temos talentos excelentes em ciência da computação e engenharia, mas o número ainda é insuficiente frente à demanda crescente.
Para superar isso, é necessário: expandir programas de capacitação prática (bootcamps, cursos técnicos e de curta duração); incentivar parcerias entre empresas e universidades; e investir em requalificação de profissionais já no mercado, pois a IA impacta áreas diversas.
Quais são as principais iniciativas ou inovações em IA que sua empresa está desenvolvendo atualmente?
Educação e conscientização: promovendo workshops e treinamentos para entendimento de como usar IA de forma responsável e estratégica e ganho de produtividade.
Projetos-piloto em setores-chave: especialmente em contabilidade e Recursos Humanos, para mostrar resultados concretos da aplicação da IA em processos críticos.
Nosso objetivo é que a IA seja não apenas um motor de competitividade,mas também uma ferramenta segura.







