O investimento em Tecnologia da Informação (TI) no Brasil alcançou US$ 58,6 bilhões em 2024, colocando o país na 10ª colocação entre os maiores mercados do mundo em gastos com Software, Hardware e Serviços. O crescimento de 13,9% em relação ao ano anterior superou a média global de 10,8%, de acordo com a segunda parte do estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2025”, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) com base em dados da IDC.
Do total investido, a maior parcela foi direcionada à aquisição de Hardware, representando 47,6% (ou US$ 27,9 bilhões). Software ficou com 30,8% (US$ 18,0 bilhões) e os Serviços de TI responderam por 21,6% (US$ 12,7 bilhões).
“Esses números refletem o esforço conjunto das empresas brasileiras de software, que atuam em todas as regiões do país e vêm promovendo inovação e competitividade em mercados maduros e emergentes”, afirmou Andriei Gutierrez, presidente da ABES.
A análise regional mostra a continuidade da liderança do Sudeste, que concentrou 60,8% dos investimentos. Na sequência aparecem Sul (13,9%), Nordeste (11,8%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (3,9%).
Considerando apenas Software e Serviços, o país movimentou US$ 31,0 bilhões em 2024, equivalente a cerca de 1,5% do volume global. Os Estados Unidos lideram esse mercado com 48,0%, seguidos por Reino Unido (5,4%) e Japão (4,4%). No Brasil, o setor é composto por 41.732 empresas, das quais 61,0% são microempresas, 33,5% pequenas, 3,3% médias e apenas 2,3% de grande porte.
Entre os setores que mais investiram em TI estão o financeiro (23,2%), seguido de serviços e telecomunicações (17,1%), indústria (13,9%), varejo (9,8%), setor público (8,9%) e óleo e gás (5,1%). Na América Latina, o Brasil respondeu por 34,7% dos US$ 169 bilhões investidos em TI. Considerando também o setor de telecomunicações, o país chegou a US$ 90 bilhões e ocupa a 9ª posição mundial em investimentos em ICT (Tecnologia da Informação e Comunicação).
LEIA TAMBÉM: ABES alerta para impactos indiretos do tarifaço dos EUA sobre setor de software e inovação no Brasil
Perspectivas para 2025 e previsões para IA

A expectativa da ABES é que o setor de TI mantenha a trajetória de crescimento em 2025, com alta estimada de 9,5% — acima da média global de 8,9%. A projeção inclui avanço de 20% em nuvem pública, atingindo US$ 3,5 bilhões; incremento de 30% nos projetos de IA generativa, com US$ 2,4 bilhões; e expansão de 11% nas soluções de ERP, somando US$ 4,9 bilhões — sendo que 30% desses sistemas devem operar via SaaS em ambiente de nuvem.
“Projetamos um crescimento de 9,5% para o setor de TI em 2025, com investimentos em nuvem pública chegando a US$ 3,5 bilhões — um avanço de 20% em relação a 2024 —, projetos de IA generativa na casa de US$ 2,4 bilhões (alta de 30%) e soluções de ERP em US$ 4,9 bilhões (crescimento de 11%), das quais 30% deverão vir na forma de SaaS na nuvem”, destaca Jorge Sukarie Neto, membro do Conselho da ABES e responsável pelo estudo.
O segmento de Business IT — que exclui equipamentos de consumo — deverá crescer 13%, impulsionado pela priorização de iniciativas ligadas à automação por IA, produtividade, digitalização de serviços, controle de custos e fidelização de clientes.
Ambientes híbridos de TI já se consolidaram como padrão, com expectativa de US$ 3,5 bilhões em investimentos em nuvem pública e US$ 1,3 bilhão em serviços de data center. A previsão para projetos de inteligência artificial (incluindo infraestrutura, software e serviços) é de crescimento de 30%, ultrapassando US$ 2,4 bilhões.
O estudo também aponta tendências como a ampliação do uso de agentes de IA e IA generativa em data centers, o avanço das soluções de cibersegurança para ambientes multicloud, e o aumento superior a 40% no número de assinantes de serviços de órbita baixa (LEO). Além disso, prevê-se uma retomada nas vendas de PCs, com o mercado estimado em US$ 6,2 bilhões (alta de 11,2%), e um segmento de smartphones que deverá movimentar US$ 10,3 bilhões em 2025 — ainda sob efeito da queda de 7,1% causada pelo combate ao contrabando no ano anterior.






