O assessor especial do Ministério da Fazenda, Igor Marchesini Ferreira, avalia que o Brasil está bem posicionado para se tornar um polo global de data centers sustentáveis. No entanto, destacou que o país enfrenta o maior custo do mundo para processar dados, principalmente devido à carga tributária elevada.
“O Brasil está muito bem posicionado para ser um hub global de data centers sustentáveis. É incrível o que a gente fez no país interligando o sistema elétrico de norte a sul de um país de dimensões continentais como o nosso, o investimento em energia hidrelétrica, mais recentemente eólico e solar”, disse o assessor durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na última semana.
Ferreira chamou atenção para o crescimento do consumo energético do setor. Depois de quase duas décadas estável em torno de 200 terawatts, a demanda global dobrou entre 2019 e 2023, impulsionada pela inteligência artificial, e deve dobrar novamente até 2030.
Apesar da infraestrutura elétrica brasileira, os dados do país ainda são processados em sua maioria no exterior. “Hoje 60% dos dados do Brasil rodam nos Estados Unidos. […] Eu acho que temos tudo para que essas mesmas empresas possam trazer essas infraestruturas para o Brasil, para que possamos servir o mercado brasileiro daqui”, afirmou.
Segundo ele, o país ainda não possui data centers especializados em inteligência artificial, os grandes clusters para treinamento de modelos em nuvem pública.
“E por que isso? Isso é uma distorção econômica. […] O Brasil é o lugar mais caro do planeta para se processar dados. Eu vou repetir essa frase. O Brasil é o lugar mais caro do planeta para se processar dados.”
Ferreira explicou que, embora a matriz energética seja uma vantagem competitiva, a carga tributária compromete o setor. “Com a nossa energia, com a nossa matriz, não existe razão estrutural para isso. […] Porque a gente tem hoje uma carga tributária muito pesada em cima dos servidores que são os principais ativos”, disse. Hoje, de acordo com o assessor, a alíquota padrão é de 64%, podendo cair a 52% com créditos e a 38% com regimes de ex-tarifários.

Soluções para destravar o potencial
O assessor do Ministério da Fazenda acredita que a reforma tributária tende a melhorar a competitividade brasileira no longo prazo.
“A partir de 2033, esse problema está totalmente resolvido, porque vocês (referindo-se aos parlamentares) desoneraram o investimento em ativo fixo e qualquer coisa que vai ser exportada e também para os impostos federais já em 2027.”
Mas Ferreira destacou que o timing para isso não é o ideal, já que as oportunidades não vão esperar soluções de longo prazo.
“O digital não tem tempo para esperar esse longo prazo. No curto prazo, criamos um problema. Porque hoje a empresa que investiu em um data center no Brasil em 2025 ou 2026 vai ter uma desvantagem estrutural competindo com quem instalar o data center em 2027”, ponderou
Para acelerar a competitividade do setor, o governo discute antecipar efeitos da reforma tributária para data centers, em troca de compromissos ambientais. “Primeiro, sustentabilidade. Eu vou repetir isso aqui. Para o Brasil, sustentabilidade não é impedimento, não é requisito, sustentabilidade é estratégia. Pode realmente exigir energia 100% limpa, água zero, vou repetir, água zero, já tem tecnologia para isso hoje, carbono zero desde o dia 1.”
O assessor completou que há uma série de medidas em avaliação: “Temos uma série de outras medidas em discussão no governo, como por exemplo, a gente precisa atrair novos entrantes, empresas menores focadas em IA, empresas grandes de outros países e, por que não, empresas nacionais”, concluiu.






