Infraestrutura Digital

Brasil tem potencial para ser hub global de data centers, mas possui maior custo do mundo para processar dados

Assessor do Ministério da Fazenda alerta que carga tributária elevada torna o país menos competitivo, apesar de matriz energética favorável

Tempo de leitura: 3 minutos


O assessor especial do Ministério da Fazenda, Igor Marchesini Ferreira, avalia que o Brasil está bem posicionado para se tornar um polo global de data centers sustentáveis. No entanto, destacou que o país enfrenta o maior custo do mundo para processar dados, principalmente devido à carga tributária elevada.

“O Brasil está muito bem posicionado para ser um hub global de data centers sustentáveis. É incrível o que a gente fez no país interligando o sistema elétrico de norte a sul de um país de dimensões continentais como o nosso, o investimento em energia hidrelétrica, mais recentemente eólico e solar”, disse o assessor durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na última semana.

Ferreira chamou atenção para o crescimento do consumo energético do setor. Depois de quase duas décadas estável em torno de 200 terawatts, a demanda global dobrou entre 2019 e 2023, impulsionada pela inteligência artificial, e deve dobrar novamente até 2030.

Apesar da infraestrutura elétrica brasileira, os dados do país ainda são processados em sua maioria no exterior. “Hoje 60% dos dados do Brasil rodam nos Estados Unidos. […] Eu acho que temos tudo para que essas mesmas empresas possam trazer essas infraestruturas para o Brasil, para que possamos servir o mercado brasileiro daqui”, afirmou.

Segundo ele, o país ainda não possui data centers especializados em inteligência artificial, os grandes clusters para treinamento de modelos em nuvem pública.

“E por que isso? Isso é uma distorção econômica. […] O Brasil é o lugar mais caro do planeta para se processar dados. Eu vou repetir essa frase. O Brasil é o lugar mais caro do planeta para se processar dados.”

Ferreira explicou que, embora a matriz energética seja uma vantagem competitiva, a carga tributária compromete o setor. “Com a nossa energia, com a nossa matriz, não existe razão estrutural para isso. […] Porque a gente tem hoje uma carga tributária muito pesada em cima dos servidores que são os principais ativos”, disse. Hoje, de acordo com o assessor, a alíquota padrão é de 64%, podendo cair a 52% com créditos e a 38% com regimes de ex-tarifários.

Foto: DC Studio/Freepik
Soluções para destravar o potencial

O assessor do Ministério da Fazenda acredita que a reforma tributária tende a melhorar a competitividade brasileira no longo prazo.

“A partir de 2033, esse problema está totalmente resolvido, porque vocês (referindo-se aos parlamentares) desoneraram o investimento em ativo fixo e qualquer coisa que vai ser exportada e também para os impostos federais já em 2027.”

Mas Ferreira destacou que o timing para isso não é o ideal, já que as oportunidades não vão esperar soluções de longo prazo.

“O digital não tem tempo para esperar esse longo prazo. No curto prazo, criamos um problema. Porque hoje a empresa que investiu em um data center no Brasil em 2025 ou 2026 vai ter uma desvantagem estrutural competindo com quem instalar o data center em 2027”, ponderou

Para acelerar a competitividade do setor, o governo discute antecipar efeitos da reforma tributária para data centers, em troca de compromissos ambientais. “Primeiro, sustentabilidade. Eu vou repetir isso aqui. Para o Brasil, sustentabilidade não é impedimento, não é requisito, sustentabilidade é estratégia. Pode realmente exigir energia 100% limpa, água zero, vou repetir, água zero, já tem tecnologia para isso hoje, carbono zero desde o dia 1.”

O assessor completou que há uma série de medidas em avaliação: “Temos uma série de outras medidas em discussão no governo, como por exemplo, a gente precisa atrair novos entrantes, empresas menores focadas em IA, empresas grandes de outros países e, por que não, empresas nacionais”, concluiu.


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