O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), lançado pelo governo, traz projeções sobre o consumo de eletricidade no país nos próximos dez anos. Pela primeira vez, o documento inclui análise de cargas especiais, como veículos elétricos, data centers e projetos de hidrogênio por eletrólise.
Segundo o estudo, esses empreendimentos podem representar entre 1,2% e 12,9% da demanda de energia em 2035, dependendo do cenário. “Muito embora ainda haja incertezas relativas ao ritmo e intensidade da entrada dessas cargas, temos observado uma rápida evolução da frota de veículos e crescentes solicitações de estudo para acesso à rede básica para projetos de data centers e de hidrogênio”, diz o PDE.
No cenário superior, que considera condições econômicas mais favoráveis, o consumo dessas cargas pode chegar a 13% da demanda total, puxado por projetos de hidrogênio e de data centers ligados a oportunidades internacionais.
No cenário de referência, a participação fica em 1,4%, impulsionada pelo avanço da eletrificação da frota e pela conexão de data centers. Já os projetos de hidrogênio enfrentariam maiores barreiras de viabilidade no médio prazo.
No cenário inferior, a fatia se mantém pouco acima de 1%, restrita ao uso de veículos elétricos e centros de dados associados à dinâmica doméstica.
O PDE também projeta o crescimento global da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN). No cenário de referência, o consumo atinge cerca de 115 GW médios em 2035, com aumento médio de 3,3% ao ano. Em caso de desempenho econômico mais fraco, a expansão cai para 2,7% anuais. Já no cenário superior, “mais dinâmico economicamente e no qual considerou-se investimentos em data centers e hidrogênio à eletrólise em volumes mais significativos, sobretudo no segundo quinquênio, a carga global cresce 5,2% ao ano, chegando a 138 GW médios em 2035“.
A demanda máxima nesse cenário pode superar 180 GWh/h, considerando a entrada de grandes data centers e plantas de hidrogênio. “Contudo, como são cargas de perfil de consumo praticamente uniforme, mantém-se a sazonalidade da demanda ao longo do ano”, destaca o estudo.





