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EDITORIAL: No 7 de setembro, o Brasil é independente de quem?

Enquanto Brasília estiver ocupada demais com seu próprio cabo de guerra, o Brasil real continuará no meio — e sofrendo.

Tempo de leitura: 2 minutos


O feriado de 7 de setembro está se aproximando, mas o Brasil nunca esteve tão distante daquilo que a data, em sua essência, representa. Após uma semana em que os bastidores do poder em Brasília arderam em chamas, fica claro que o país ainda está longe de ser verdadeiramente independente. Se, no passado, éramos uma colônia europeia, hoje somos reféns de uma classe política que olha para si e se esquece dos reais anseios nacionais.

Não cabe aqui relembrar a crise institucional iniciada nesta semana no Supremo Tribunal Federal (STF) ou mesmo detalhar o ringue político que se instaurou no país nos últimos anos, dividindo o Brasil em dois lados. A questão que se levanta é mais profunda: enquanto Brasília pega fogo, o país patina em estagnação.

A economia caminha a duras penas, a violência urbana assola e amedronta, e a educação pública está muito distante do ideal. Nesse momento, é possível que simpatizantes de governos A ou B possam apontar avanços aqui e acolá em cada uma dessas áreas.

Mas a verdade é que quem olha para o próprio bolso ou precisa andar pelas ruas à noite entende que o Brasil está longe de ser a nação que poderia ser.

Na área de tecnologia, especificamente, a americana OpenAI lançou mais um poderoso modelo de IA nesta semana, em uma corrida desenfreada contra a China pela liderança nesse segmento.

Enquanto isso, aqui no Brasil, só agora foi possível aprovar o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), após meses de espera. E o tema só avançou no Congresso após uma costura política que colocou “pingos nos is” nas desavenças entre os chefes do Senado e do Planalto.

Ou seja: em primeiro lugar estão os interesses políticos. Os temas que verdadeiramente importam para o país ficam em segundo plano.

Talvez o maior sinal de independência que o Brasil ainda precise conquistar seja justamente este: deixar de colocar a disputa pelo poder acima daquilo que deveria ser o objetivo comum.

No próximo dia 7 de Setembro, portanto, talvez valha menos celebrar uma independência conquistada há dois séculos e mais perguntar quanto ainda falta para que o Brasil seja verdadeiramente dono do seu próprio destino. Porque, enquanto Brasília estiver ocupada demais com seu próprio cabo de guerra, o Brasil real continuará no meio — e sofrendo.

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