Na nova entrevista especial da nossa série “O Futuro da IA no Brasil“, vamos conhecer nesta terça-feira (9) os planos e perspectivas da Elea Data Centers. A companhia se prepara para o Rio AI City, projeto que prevê a construção de um complexo de data centers voltados para IA e nuvem na capital fluminense. Segundo Fernanda Belchior, diretora de Marketing e Sales Ops da empresa, o empreendimento deve ser inaugurado em 2026 e tem potencial para entrar no top 10 dos maiores data centers do mundo. A executiva também reforça a importância de formar profissionais de maneira abrangente para atender à crescente demanda do setor e consolidar o país como um hub global de IA.
Como você vê o papel do Brasil no mercado global de IA hoje — e qual deve ser o peso do país nesse setor nos próximos anos?
Respondendo por cerca de 60% do mercado da América Latina, o Brasil tem potencial de se tornar um protagonista na corrida da IA e esse trabalho começa agora. Somos o único país do G20 com uma matriz energética predominantemente renovável, e os data centers podem gerar demanda por essa energia limpa.
Além da questão energética, o Brasil reúne condições únicas, como uma infraestrutura de conectividade robusta, com saídas internacionais via cabos submarinos para os EUA, Europa e África, e capital humano, o que coloca o país em posição de vantagem.
Diante desse cenário, o Brasil é o destino ideal para atração de investimentos estrangeiros em infraestrutura digital e pode se tornar um hub global nos próximos anos, capaz de atender as cargas de trabalho (workloads) tanto de cloud como de IA.
O que ainda falta para o Brasil avançar mais nesse mercado e aproveitar plenamente as oportunidades atuais?
Acredito que o Brasil tem trabalhado para aprimorar o ambiente regulatório e tarifário, e esperamos que as medidas sejam aprovadas em breve. Um exemplo é a Política Nacional de Data Centers (Redata), regime de incentivos fiscais do Governo Federal. O Redata foi desenhado para desonerar investimentos e zerar tarifas de importação para equipamentos de tecnologia. Trata-se de uma solução não só para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura digital no país, mas também para fazê-la de forma sustentável, já que temos excesso de energia renovável, que pode ser direcionada para esses projetos.
Com um marco regulatório moderno, o país poderá atrair ainda mais capital nacional e estrangeiro para impulsionar a economia digital, aumentar a capilaridade da infraestrutura e fomentar a inovação.

Quais são os maiores desafios na formação de profissionais para atuar com IA no país — e como superá-los?
Os investimentos em data centers no Brasil têm beneficiado uma ampla cadeia produtiva e econômica. Hoje, o país conta 188 data centers, que abastecem as operações digitais de milhões de empresas em diversos setores estratégicos, como financeiro, saúde, varejo, indústria e serviços públicos. Segundo a Brasscom, os investimentos em TICs no país devem alcançar R$ 487 bilhões até 2026, com a criação de mais de 700 mil empregos diretos e indiretos.
“O maior desafio está em formar uma base sólida de talentos capaz de sustentar o avanço da inteligência artificial no Brasil a longo prazo. Para isso, precisamos investir em uma verdadeira esteira de formação, que vá desde a educação básica até programas avançados de capacitação.”
As empresas têm um papel central nesse processo, por meio de estágios e iniciativas de desenvolvimento profissional, mas essa não é uma responsabilidade exclusiva do setor privado: o governo também deve atuar de forma estratégica, apoiando políticas educacionais e parcerias que fortaleçam o ecossistema de inovação. Só assim conseguiremos não apenas suprir a demanda atual, mas também preparar o país para liderar no futuro da IA.
Quais são as principais iniciativas ou inovações em IA que sua empresa está desenvolvendo atualmente?
A Elea continua investindo constantemente nos mercados onde ela atua. Um dos exemplos é o projeto Rio AI City, localizado no Parque Olímpico. Com apoio da Prefeitura do Rio, a iniciativa prevê a construção de uma cidade de data centers voltados para IA e nuvem de última geração, com capacidade inicial de 1.5 gigawatts e expansão para 3.2 gigawatts, com primeira entrega prevista para 2026. Estamos falando de um complexo de data centers para IA que estará entre os 10 maiores do mundo.
O projeto utiliza 100% de energia renovável, sistemas de resfriamento sem água e foi concebido dentro do conceito de arquitetura verde. A Rio AI City também está integrada à infraestrutura urbana da cidade e deve gerar mais de 10.000 empregos qualificados.
Em julho de 2024, a Elea anunciou a compra de dois data centers situados na Grande São Paulo: SPO2, localizado em São Bernardo do Campo (SP) e SPO3, em Barueri (SP). As instalações encontram-se em áreas estratégicas, próximas à recepção de conexão de cabos submarinos, com oferta de energia, proposta que se alinha ao foco da Elea em oferecer soluções de infraestrutura de TI de alto desempenho, para servir o mercado corporativo e das Big Techs.







