A inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas em testes e passou a ocupar papel central nas operações corporativas, segundo a edição 2026 do relatório “State of AI in the Enterprise”, elaborado pelo AI Institute da Deloitte. O estudo ouviu mais de 3 mil executivos em 24 países, incluindo 115 participantes brasileiros.
De acordo com a pesquisa, além dos ganhos de produtividade já associados à tecnologia, cresce o número de empresas que utilizam IA para promover mudanças estruturais nos negócios. Globalmente, 34% das organizações afirmaram empregar a tecnologia com foco transformador. No Brasil, o índice chegou a 42%, indicando uma adoção mais estratégica da inteligência artificial pelas empresas locais.
O levantamento também aponta destaque do Brasil em áreas consideradas prioritárias. Entre os executivos brasileiros, 59% disseram que a IA já contribui para melhorar a tomada de decisões e a geração de insights a partir de dados, acima da média global de 53%.
Outro destaque aparece no relacionamento com clientes. Enquanto 38% dos executivos no cenário internacional apontaram avanços nessa área, no Brasil o percentual chegou a 44%.
Apesar disso, ainda são poucas as empresas que relacionam diretamente a IA ao crescimento de receitas. No Brasil, 22% dos entrevistados afirmaram já perceber aumento de faturamento associado à tecnologia, índice próximo da média global, de 20%.
As expectativas para os próximos anos, no entanto, permanecem elevadas. Entre os executivos brasileiros, 87% acreditam que a inteligência artificial irá impulsionar o crescimento da receita das empresas, acima da média mundial de 74%.
“No Brasil, as empresas também estão numa jornada de implementação de inteligência artificial e GenAI. Muitos já entenderam que a tecnologia deve ser parte da estratégia e da transformação dos negócios. O desafio, agora, é escalar os pilotos atuais com cases com resultados concretos”, afirmou Jefferson Denti, líder do Deloitte AI Institute..
Segundo o estudo, 85% das organizações no mundo já autorizam o uso de inteligência artificial para pelo menos 20% de seus profissionais. No Brasil, o percentual é semelhante, chegando a 82%.
“As proporções indicam um movimento de liberação do uso da IA em conjunto com a percepção de valor gerado, de forma estruturada e gradual. Em vez de uma adoção ampla e irrestrita, as empresas vêm ampliando o acesso de maneira escalonada, começando por áreas prioritárias ou funções específicas, testando governança e modelos de uso, para então expandir a tecnologia de forma mais abrangente. Trata-se de uma estratégia que combina ambição com controle. É preciso aumentar a adoção, não somente o acesso as ferramentas”, acrescentou Denti.
O relatório também aponta mudanças no papel desempenhado pela inteligência artificial nas empresas. Além de atuar como fonte de informação, a tecnologia passa a executar tarefas por meio de agentes autônomos.
Globalmente, 85% das empresas já utilizam ao menos uma abordagem de personalização baseada em agentes de IA. No Brasil, a prática mais comum é a customização de agentes em plataformas de nuvem de hiperescala, estratégia adotada por 55% das organizações. Outros 47% utilizam agentes prontos oferecidos por essas plataformas.
Desafio até larga escala
A pesquisa mostra ainda que transformar projetos-piloto em aplicações em larga escala continua sendo um desafio para as empresas. Apenas 25% das organizações globais afirmaram já ter implementado plenamente pelo menos 40% de seus experimentos em IA.
Entre as empresas brasileiras, 58% disseram que, no máximo, 20% dos pilotos foram efetivamente colocados em operação, enquanto apenas 23% conseguiram escalar 40% ou mais dos projetos.
Ainda assim, há expectativa de aceleração desse movimento. Segundo o levantamento, 54% dos líderes globais e 49% dos brasileiros esperam levar ao menos 40% dos experimentos para a operação nos próximos três a seis meses.
O impacto da IA generativa também passou a ser percebido de forma mais ampla. No mundo, 25% dos executivos afirmaram já notar efeitos transformadores da tecnologia — mais que o dobro registrado na edição anterior do estudo. No Brasil, o índice chegou a 28%.
O país também apresentou indicadores mais elevados na revisão de processos internos. Entre as empresas brasileiras, 30% afirmaram redesenhar fluxos críticos com foco em IA, enquanto o uso superficial da tecnologia foi citado por 27% dos respondentes, abaixo da média global de 37%.






