Novos talentos

Estudo aponta que 58% dos jovens veem IA como aliada para entrar no setor de tecnologia

Pesquisa da Brasscom e do Instituto PROA também destaca dificuldades de acesso ao primeiro emprego e barreiras estruturais

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Uma pesquisa realizada pela Brasscom em parceria com o Instituto PROA aponta que 58% dos jovens enxergam a inteligência artificial como uma aliada para o ingresso no mercado de tecnologia.

O estudo “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia” foi desenvolvido para entender como jovens em transição para o mercado de trabalho ou em início de carreira percebem o setor de tecnologia, além de identificar os principais obstáculos de entrada e os fatores que podem favorecer a permanência e o desenvolvimento profissional.

Segundo a pesquisa, embora a IA seja vista como uma ferramenta estratégica, o acesso ao primeiro emprego ainda enfrenta barreiras estruturais, como dificuldade para conseguir entrevistas, exigência de experiência prévia e limitações socioemocionais e materiais de parte significativa dos jovens.

Do lado das empresas, 52% afirmaram já estar se preparando para os impactos da inteligência artificial. Ainda assim, 30% dos jovens disseram temer ser substituídos pela tecnologia, cenário que, de acordo com o levantamento, reforça a necessidade de alfabetização digital, orientação profissional e processos seletivos mais transparentes.

O estudo também aponta que o interesse pelo setor de tecnologia permanece elevado entre os jovens. Entre os entrevistados, 59% afirmaram ter interesse em atuar na área e 89% disseram já ter buscado algum curso de preparação para o mercado de trabalho.

Apesar disso, 54% apontaram a dificuldade em conseguir entrevistas como principal barreira para conquistar uma vaga.

A pesquisa destaca ainda que os obstáculos não estão relacionados apenas à qualificação profissional, mas também à forma como o acesso ao mercado é estruturado. Entre os jovens ouvidos, 45% nunca tiveram carteira assinada e 30% afirmaram não possuir experiência profissional formal.

Ao mesmo tempo, o mercado continua priorizando critérios ligados a histórico profissional formal, o que, segundo o estudo, acaba desconsiderando trajetórias não lineares, aprendizados informais e potencial de desenvolvimento.

As limitações financeiras também aparecem como fator relevante. De acordo com o levantamento, 69% dos jovens vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, situação que dificulta o acesso a transporte, computadores e internet de qualidade.

Em muitos casos, o celular é o único dispositivo utilizado para acessar a internet, o que pode restringir a participação em processos seletivos e reduzir oportunidades de contratação.

A Brasscom afirmou que atua em projetos voltados à formação e inserção de profissionais no setor de tecnologia.

“Na Brasscom, compreendemos que para além de ouvir as empresas, temos que abrir para os talentos, ouvir quem tem interesse em ingressar no setor e nos provocar. Nosso trabalho, especialmente por meio de parcerias e projetos educacionais, busca construir pontes efetivas para que esse interesse se transforme em oportunidades. É fundamental que o mercado de TI acolha e retenha esses novos talentos, superando barreiras como as dificuldades nas entrevistas e a falta de experiência formal, e garantindo um futuro mais inclusivo para esses jovens”, afirmou Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da associação.

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