O principal equívoco das empresas ao adotar inteligência artificial está em demonstrar interesse pela tecnologia antes de refletir sobre o real motivo de sua implementação. A avaliação é de Fabrício Laguna, consultor, instrutor e palestrante especializado em Análise de Negócios e Senior Advisor do CEO do IIBA.
Segundo o especialista, esse padrão se repete sempre que surge uma nova tecnologia. As organizações se concentram na ferramenta e deixam de discutir os objetivos que pretendem alcançar com sua adoção.
“Quando a discussão começa pela ferramenta, o caminho já está comprometido. Antes de tudo, é preciso entender qual resultado se quer gerar. Sem isso, a Inteligência Artificial vira apenas mais uma aposta cara. Já vimos isso acontecer com BlockChain, BigData, ERP, CRM e tantas outras modas que despejaram montes de dinheiro em iniciativas de baixo retorno”, afirma Laguna.
No cotidiano das empresas, a confusão entre entregas e resultados ainda é recorrente. Sistemas avançados são implantados, equipes são mobilizadas e, mesmo assim, os ganhos efetivos permanecem pouco claros. Para o consultor, isso ocorre porque muitas iniciativas priorizam a entrega de soluções tecnológicas, em vez da geração de resultados concretos para o negócio.
“Existe uma ansiedade por mostrar inovação, mas pouco foco em resolver problemas relevantes. Implementar IA não garante valor. Valor surge quando há clareza sobre o que precisa mudar no negócio”, diz.
Laguna reconhece que a inteligência artificial tem potencial para transformar organizações, mas ressalta a importância de compreender suas limitações e de estabelecer objetivos claros que gerem benefícios para a empresa, seus clientes e a sociedade.
Ao longo de sua trajetória como consultor, instrutor e palestrante, o especialista tem defendido a centralidade das pessoas e do alinhamento estratégico nos processos de transformação organizacional.
“Transformação organizacional não acontece simplesmente alterando o código dos aplicativos. Ela acontece quando as pessoas entendem o motivo da mudança, compram a ideia, assumem responsabilidade e decidem tomar ações para alcançar um objetivo compartilhado”, afirma.
Autor do livro Segure na Linha: O Poder do Pensamento Orientado a Outcomes (Editora Viseu e IIBA Publications), Laguna destaca que inovar não significa apenas adotar tecnologias emergentes, mas identificar oportunidades de melhoria em toda a organização e alinhar discurso e prática.
“A adoção da Inteligência Artificial amplia a complexidade do ambiente corporativo e expõe fragilidades que antes passavam despercebidas. Lideranças despreparadas, metas desconectadas da estratégia e decisões tomadas sem visão sistêmica tendem a gerar ainda mais ruído quando potencializadas por tecnologia”, conclui.






