Acelerando processos

IA da Econect pode reduzir em até 85% tempo de processos de licitação pública

Startup desenvolveu plataforma voltada a órgãos governamentais e já soma mais de mil usuários; expectativa é superar 1.500 servidores em 2026

Tempo de leitura: 3 minutos


Processos de licitação que podem levar meses para serem concluídos em prefeituras, secretarias e outros órgãos públicos estão entre os procedimentos que a Econect busca acelerar com o uso de inteligência artificial. Criada em 2023, a startup brasileira desenvolveu uma plataforma direcionada ao mercado de licitações e compras públicas que, segundo a empresa, pode reduzir em até 85% o tempo dedicado a determinadas etapas, levando processos que se estenderiam por meses a fluxos concluídos, em alguns casos, em cerca de dez dias.

À frente da empresa está Eduardo Feitosa, de 27 anos, que teve os primeiros contatos com o setor público ainda na adolescência. Natural de Coxim (MS), ele trabalhou no Procon do município e acompanhou de perto processos licitatórios antes de migrar para o empreendedorismo e, posteriormente, para a área de tecnologia. A experiência, somada às mudanças introduzidas pela Lei 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, deu origem à Econect.

“A ideia nunca foi criar apenas um software, mas um ecossistema computacional capaz de apoiar decisões estratégicas quando o assunto é licitação e compra pública. A tecnologia entra justamente onde ainda existe muito trabalho manual, documentos extensos e processos que exigem tempo e responsabilidade jurídica”, explica Feitosa.

O desenvolvimento da solução começou a partir de testes com ferramentas de inteligência artificial generativa disponíveis no mercado. De acordo com Feitosa, porém, as demandas relacionadas à legislação, jurisprudência e informações jurídicas exigiam uma tecnologia mais especializada.

A partir disso, a empresa passou a desenvolver seu próprio ecossistema de IA, voltado especificamente para licitações e integrado à infraestrutura de nuvem da AWS. A proposta é oferecer um ambiente tecnológico adaptado às rotinas dos servidores públicos e às diferentes etapas das contratações governamentais.

Na prática, a plataforma opera no modelo SaaS e reúne diferentes fases dos processos em um único ambiente. O servidor pode iniciar um fluxo de compras, definir responsáveis, prioridades e prazos, além de indicar quais documentos serão necessários.

A ferramenta auxilia na elaboração de documentos como Documento de Formalização da Demanda (DFD), Estudo Técnico Preliminar (ETP), Termo de Referência, mapa de riscos, projeto básico, edital, atas, contratos, termos aditivos e relatórios, entre outros. O usuário insere as informações específicas da contratação e o sistema estrutura os documentos, que continuam dependendo de análise e validação do servidor.

Apoio às decisões

A tecnologia também pode ser utilizada para analisar documentos já existentes. O usuário pode anexar uma peça para receber resumos, identificar pendências e pontos de atenção, obter recomendações e verificar aspectos de conformidade.

A plataforma permite ainda que diferentes áreas de um mesmo órgão participem do processo, com acompanhamento das etapas, responsáveis e prazos.

“A inteligência artificial não substitui o servidor. Ela oferece suporte para que ele trabalhe com mais agilidade, informação e capacidade de revisão”, afirma Feitosa.

Outro recurso disponível é a pesquisa de preços integrada ao Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Com base nos critérios estabelecidos pelo servidor, a plataforma consulta contratações públicas e permite filtrar os resultados por modalidade, situação do item, estado e período. Também é possível acessar informações sobre fornecedores e valores praticados em outras contratações.

As informações utilizadas na pesquisa podem ser verificadas pelo usuário diretamente no PNCP, permitindo consultar a origem dos dados.

A Econect atua exclusivamente no segmento B2G (business to government), tendo como público-alvo prefeituras, governos, secretarias, autarquias, consórcios e outras instituições públicas.

Segundo a empresa, cerca de 300 órgãos já participaram de processos de prova de conceito (POC) da tecnologia. Atualmente, a plataforma possui contratos ativos e mais de mil usuários. Para 2026, a expectativa é superar a marca de 1.500 servidores públicos utilizando o sistema.

Para Feitosa, a aplicação da inteligência artificial na administração pública está mais relacionada à redução de tarefas repetitivas e à reorganização do trabalho do que à substituição de profissionais.

“O servidor continua sendo responsável pela decisão e pela validação. O que a tecnologia faz é retirar parte do retrabalho e transformar um processo que historicamente é complexo e demorado em uma rotina mais ágil e organizada”, conclui.

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