A infraestrutura legada está entre os principais obstáculos à adoção de inteligência artificial nas empresas, segundo estudo realizado pela GFT Technologies, empresa de transformação digital centrada em IA. O levantamento mostra que limitações de sistemas antigos já levaram 84% dos líderes de tecnologia entrevistados a abandonar pelo menos um projeto ou piloto de IA.
Além de dificultar a implementação de novas tecnologias, os sistemas legados também são associados a riscos de segurança. Para 93% dos entrevistados, deixar de modernizar a infraestrutura antes de implementar IA em sistemas antigos pode desencadear uma crise de segurança em toda a empresa.
O levantamento também aponta preocupação dos executivos com o ritmo dos investimentos em inteligência artificial. Para 89% dos entrevistados, os aportes globais em IA estão crescendo mais rapidamente do que o valor de negócio que a tecnologia é capaz de gerar.
O cenário levanta, entre os líderes de tecnologia, preocupações sobre uma possível “bolha da IA”, especialmente diante da diferença entre a expectativa criada em torno da tecnologia e a capacidade das empresas de extrair resultados concretos dos investimentos.
“A adoção da IA está avançando rapidamente, mas nossa pesquisa mostra que as organizações estão reconhecendo cada vez mais a importância da base que sustenta essa tecnologia. Para muitas delas, o legado de infraestrutura está se tornando uma verdadeira restrição — não apenas para a inovação, mas também para a segurança e a escalabilidade. Fechar essa lacuna entre a ambição em IA e a prontidão da infraestrutura é fundamental para transformar o investimento em IA em valor de negócio sustentável”, afirma Marco Santos, CEO Global da GFT Technologies.
A incerteza geopolítica está redefinindo a estratégia dos fornecedores
Interrupções recentes no acesso a modelos de IA estão levando empresas a repensar de forma fundamental como obtêm capacidades de IA. Embora tensões recentes nos Estados Unidos tenham destacado esses riscos, suas implicações vão muito além de um único mercado.
- 99% afirmam que possíveis restrições governamentais ao acesso à IA aumentam a importância de não depender de um único fornecedor de IA, especialmente após a disputa do governo dos EUA com a Anthropic sobre o acesso aos modelos Mythos e Fable no início deste ano.
- Nesse contexto, 42% dos entrevistados estão agora inclinados a construir uma infraestrutura de IA internamente em vez de comprar de fornecedores externos.
“A pressão para mostrar resultados com a IA é real, mas avançar mais rápido do que sua própria infraestrutura apenas transfere o risco para frente. Construir a base primeiro é o que torna o valor e a velocidade sustentáveis e escaláveis depois”, conclui Marco Santos.
A pesquisa foi conduzida pela Wakefield Research para a GFT com 945 CIOs e CTOs de 19 países. Os participantes trabalham em empresas com receita anual de pelo menos US$ 500 milhões. A coleta ocorreu entre 11 e 31 de agosto de 2026, por meio de convites enviados por e-mail e questionário on-line.






