Segurança digital

Kaspersky aponta cinco riscos da inteligência artificial para a indústria do entretenimento

Relatório da empresa indica impactos em venda de ingressos, efeitos visuais, distribuição de conteúdo, jogos e governança regulatória

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A inteligência artificial deverá influenciar diferentes etapas da indústria global do entretenimento em 2026, da venda de ingressos à produção de efeitos visuais e à distribuição de conteúdo. A avaliação é da Kaspersky, em seu mais recente Boletim de Segurança.

Segundo a empresa, o setor apresenta vulnerabilidades específicas porque a tecnologia não apenas automatiza processos administrativos, mas também é capaz de criar, reproduzir e imitar elementos centrais da própria indústria, como narrativas, performances e experiências visuais.

“À medida que analisamos diferentes áreas do setor, ficou evidente que a Inteligência Artificial é o fio condutor da maioria dos riscos emergentes. Ao aprofundar essa análise, mostramos que a IA não só permite aos usuários identificar anomalias com mais rapidez, como também oferece aos cibercriminosos novas capacidades para analisar mercados, sondar infraestruturas e gerar conteúdo malicioso altamente convincente”, afirma María Isabel Manjarrez, pesquisadora de segurança da Kaspersky.

Para a executiva, estúdios, plataformas e detentores de direitos precisam encarar os sistemas de IA — e os dados que os alimentam — como parte integrante de sua principal superfície de ataque, e não apenas como ferramentas criativas, construindo modelos de segurança e governança ajustados a essa nova realidade

O relatório destaca cinco áreas de risco e tendências associadas ao avanço da IA no setor.

A primeira envolve a disputa entre algoritmos e revendedores de ingressos. Segundo a Kaspersky, sistemas de inteligência artificial podem tornar os modelos de preços dinâmicos mais rápidos e detalhados, ao mesmo tempo em que permitem que revendedores utilizem bots em larga escala para identificar eventos com maior potencial de lucro e ajustar valores em mercados secundários em tempo real.

Outro ponto citado é o aumento do risco de vazamento de conteúdo na produção de efeitos visuais. Com o uso crescente de plataformas de computação em nuvem para geração de imagens por computador (CGI), estúdios passam a depender de uma rede mais ampla de fornecedores e freelancers. Esse cenário pode ampliar a superfície de ataque para cibercriminosos interessados em acessar sequências, episódios ou outros ativos antes do lançamento.

O relatório também alerta para vulnerabilidades nas redes de distribuição de conteúdo. Essas infraestruturas concentram episódios inéditos, transmissões ao vivo e versões de jogos para diversas empresas do setor. Segundo a Kaspersky, ferramentas de IA podem ajudar criminosos a mapear essas redes, identificar conteúdos de alto valor e explorar credenciais fracas ou falhas de configuração.

Outro risco envolve o uso de IA generativa em jogos e comunidades de fãs. Usuários podem recorrer a modelos externos para produzir conteúdos que normalmente seriam bloqueados dentro das plataformas, como cenários violentos ou sexualizados, e reinseri-los em modificações de jogos ou produções de fãs. Há ainda a possibilidade de dados pessoais aparecerem em resultados gerados por IA caso os dados de treinamento não sejam devidamente filtrados.

Por fim, o relatório aponta que discussões regulatórias sobre o uso de inteligência artificial em atividades criativas podem levar empresas do setor a criar novas funções voltadas à governança da tecnologia. Essas equipes teriam a responsabilidade de acompanhar como os modelos são treinados, utilizados em processos de produção e marketing, e se estão alinhados às regras de direitos autorais e às práticas de conformidade.

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