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Muito além das ideias, o futuro da IA depende de potência real

É fundamental contar com poder computacional de alto desempenho para lidar com grandes volumes de dados, treinamentos longos e complexos, escreve Paulo Perez

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A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta indispensável na resolução de problemas reais e, em muitos casos, vitais. No entanto, é ingênuo imaginar que apenas boas ideias impulsionam essa transformação. A realidade é muito mais crua: sem infraestrutura robusta, a IA não sai do papel. Em áreas críticas como saúde, biotecnologia, clima e Direito, a aplicação de modelos inteligentes exige muito mais do que criatividade. É preciso lidar com grandes volumes de dados, treinamentos longos e complexos, e a necessidade de respostas rápidas e precisas. Para isso, não há alternativa: é fundamental contar com poder computacional de alto desempenho.

Não por acaso, a NVIDIA, principal fornecedora de GPUs para IA, viu seu valor de mercado ultrapassar US$ 2 trilhões em 2024, impulsionada justamente pela demanda crescente por infraestrutura de IA. Apenas no último ano fiscal, a receita da empresa com data centers, onde estão concentradas as soluções para IA, cresceu 217% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 47,5 bilhões. Esse salto não é trivial: é reflexo direto do que o setor de inovação está exigindo da tecnologia.

Recentemente, uma matéria da CNN Brasil destacou os planos da empresa para manter sua liderança no setor: bilhões de dólares em investimentos em novas arquiteturas de chips, parcerias com big techs e expansão de sua rede de data centers.

Pode parecer apenas mais um movimento estratégico de uma gigante da tecnologia, mas para quem está no ecossistema da inovação, cada avanço desse tipo representa muito mais: é uma nova porta aberta para a criação de soluções concretas e transformadoras.

Assim, soluções de IA que analisam DNA, recomendam medicamentos, monitoram padrões climáticos ou automatizam decisões jurídicas precisam processar milhões de fragmentos de dados em tempo real. Sem tecnologias robustas como as GPUs da NVIDIA, tarefas assim seriam inviáveis ou demorariam dias, tempo que, em muitas situações, não se pode desperdiçar.

É justamente aí que entra o papel estratégico da infraestrutura computacional. As GPUs da NVIDIA tornaram-se fundamentais para viabilizar modelos de machine learning e deep learning em larga escala. O modelo GPT-4, por exemplo, foi treinado com milhares de GPUs A100 e H100 da empresa, demandando semanas contínuas de processamento paralelo em data centers especializados. Esse tipo de operação seria impossível sem uma base tecnológica avançada, e extremamente cara, como a que essas GPUs oferecem.

Portanto, a inovação não se sustenta apenas na genialidade das equipes técnicas, ela depende de ferramentas adequadas, escalabilidade e infraestrutura real. Sem acesso a tecnologias desse nível, muitos projetos promissores simplesmente não conseguem sair do laboratório.

Cada novo passo da NVIDIA é um avanço que reverbera em milhares de iniciativas que usam IA para resolver os grandes desafios da humanidade. Seja no campo da saúde, do meio ambiente, das leis ou da ciência, esses investimentos abrem caminhos antes inimagináveis. A Inteligência artificial pode, sim, ser o grande motor da próxima revolução tecnológica. Mas, como todo motor, ela exige combustível adequado. E nesse caso, o combustível é o poder computacional. Sem ele, mesmo as melhores ideias permanecem apenas no papel.

Paulo Perez é formado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação, com mais de 30 anos de experiência em Software e Segurança da Informação. É programador, professor e CEO e Cofundador da Biofy Technologies.

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