Embora o mercado continue indiferente aos sólidos resultados contínuos da Nvidia, é difícil ignorar a transferência geracional de fluxo de caixa livre dos construtores de data centers de IA para os fornecedores, o que permitiu à Nvidia anunciar um dos maiores programas de retorno aos acionistas da história. Há paralelos com o anúncio semelhante da Apple em 2012, quando o mercado debatia a sustentabilidade do crescimento do iPhone e se a Apple seria a próxima Nokia, levando a um desconto de avaliação no mercado. Ao sinalizar ao mercado sua convicção de um crescimento e margens mais duradouros, a Apple conseguiu, por fim, convencer o mercado de que era uma empresa de plataforma com uma vantagem competitiva duradoura, resultando, em última instância, em um prêmio de avaliação.
A Nvidia espera embarcar em uma jornada semelhante, ao mesmo tempo em que lembra ao mercado que possui o balanço patrimonial e a escala de P&D necessários para estar na vanguarda das inovações recentes em CPUs e LPUs, bem como estar à frente da fila em um setor de semicondutores que sofre com extrema escassez de oferta em toda a cadeia de suprimentos.
Principais conclusões
Um “momento Apple”? Um dos principais fatores que levaram à reavaliação da Apple — passando de um desconto em relação ao S&P 500 para um prêmio — foi a empresa ter provado que não era a próxima Nokia, mas sim uma empresa de ecossistema de plataforma com crescimento e margens mais sustentáveis. Uma forma pela qual Tim Cook, em seus primeiros dias como CEO, sinalizou isso foi por meio do Programa de Retorno de Capital de março de 2012, com uma recompra de US$ 10 bilhões e um dividendo trimestral — medidas que não eram tomadas desde 1995. A Nvidia acaba de reportar quase US$ 50 bilhões em fluxo de caixa livre somente no último trimestre, enquanto testemunhamos uma transferência de fluxo de caixa livre única na vida, dos hiperescaladores e construtores de data centers de IA para os fornecedores, com a Nvidia liderando os beneficiários do setor de semicondutores. Como resultado, eles puderam anunciar uma recompra incremental de US$ 80 bilhões, elevando a autorização em vigor para US$ 118,5 bilhões, bem como um aumento de 25 vezes no dividendo, para US$ 1 por ano. Com um compromisso flexível de devolver 50% do fluxo de caixa livre aos acionistas, considerando o lucro projetado e o crescimento do fluxo de caixa livre, esse dividendo deve continuar a se multiplicar nos próximos dois anos, proporcionando um rendimento de dividendos superior a 1%.
Flexibilizando seu balanço patrimonial para garantir o abastecimento: o aumento sem precedentes na demanda por IA esgotou todo o excesso de oferta da indústria de semicondutores pós-pandemia, causando escassez em vários setores da cadeia de suprimentos de semicondutores e óptica. Mais uma vez seguindo o exemplo da Apple, a Nvidia está utilizando seu balanço patrimonial para garantir o abastecimento atual, além de incentivar os fornecedores a ampliar sua capacidade por meio de pagamentos antecipados e participações acionárias em fornecedores-chave, com compromissos de fornecimento que chegam a US$ 145 bilhões. Consequentemente, a Nvidia se sente segura no que diz respeito ao abastecimento, em contraste com alguns concorrentes e apesar de ter registrado um aumento de US$ 13,5 bilhões nas vendas sequenciais no último trimestre — valor superior ao total anual de vendas de muitos de seus concorrentes.
Exagero na perda de participação de mercado
O mercado continua a debater a participação de longo prazo da Nvidia, dada a ascensão de chips personalizados concorrentes da Alphabet e da Amazon, bem como a ascensão da Anthropic, que depende desses dois em vez da Nvidia para treinar seus modelos. A Nvidia destacou que agora está conquistando negócios com a Anthropic, portanto, vê-se ganhando participação nos modelos de ponta, bem como dominando o mercado não hiperescalável, onde neoclouds, governos e empresas estão muito menos dispostos a projetar sua própria computação, desagregar cargas de trabalho ou experimentar outros fornecedores de chips. Os negócios da Nvidia continuam a acelerar, com seu segmento de data centers fora da China crescendo bem acima de 100% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo Blackwell e pela expansão de suas redes Ethernet. Apesar das preocupações do mercado, o Vera Rubin continua a caminho de ser lançado ainda este ano, oferecendo 35 vezes mais throughput de inferência e 10 vezes mais geração de receita de tokens de IA em data centers do que o atual Blackwell.
Crescimento diversificado além dos hiperescaladores
Os novos relatórios e divulgações tiveram como objetivo destacar para o mercado que metade de seus negócios de data centers atualmente provém de fontes além dos grandes hiperescaladores dos EUA e das principais empresas de internet. A ascensão dos modelos de IA de ponta, das neoclouds (ou nuvens nativas de IA, na terminologia da Nvidia), da IA soberana e da IA empresarial está impulsionando um crescimento significativo, duradouro e diversificado, menos limitado pelo foco intenso do mercado em apenas alguns fluxos de caixa dos hiperescaladores. Observe que a China continua com zero, apesar dos EUA terem emitido mais licenças de exportação, dada a relutância da China em aceitar as importações; portanto, permanece a possibilidade de alta para a Nvidia caso as negociações atuais possam mudar isso.
Nº 1 em CPUs de IA
A ascensão da IA agêntica levou a um entusiasmo renovado pelas CPUs, que impulsionam a orquestração e atuam como um mecanismo de controle para a IA agentiva. A Nvidia divulgou pela primeira vez que tem compromissos de US$ 20 bilhões em receitas de CPUs Vera somente neste ano, o que a tornaria a maior fornecedora de CPUs de IA, à frente da Intel e da AMD.
LPUs continuarão sendo um nicho:
Com o recente IPO bem-sucedido da Cerebras e a aquisição da Groq pela Nvidia no final do ano passado, o reconhecimento do mercado pelas unidades de processamento de linguagem (LPUs) baseadas em chips SRAM de baixa latência e alta taxa de tokens aumentou significativamente, mas a Nvidia ainda vê as LPUs como relevantes apenas para um nicho do mercado e para certas cargas de trabalho de inferência, como a decodificação.
– Richard Clode é gerente de portfólio da equipe de líderes globais tecnológicos da Janus Henderson






