Uma pesquisa recente da Bain com consumidores brasileiros indica que 70% veem como principal função de uma inteligência artificial aplicada a serviços financeiros a capacidade de esclarecer dúvidas e detalhar tarifas, regras ou características dos produtos. Na sequência aparecem o monitoramento de gastos, com alertas sobre riscos e oportunidades (62%), e o suporte para compreender melhor os produtos já contratados (51%). Funções como resolução de problemas com serviços (46%), contratação de produtos financeiros (40%) e realização de transações simples, como Pix ou outras formas de transferência (26%), completam o conjunto de maior interesse.
“Os resultados indicam que os brasileiros valorizam funcionalidades de IA que oferecem clareza e suporte contínuo, como explicação de produtos e monitoramento de gastos. O desafio das instituições financeiras está em transformar esse interesse em uso recorrente, garantindo que a tecnologia seja percebida como confiável, segura e integrada ao dia a dia financeiro”, afirma Thiago Delfino, sócio da Bain & Company que acompanhou a pesquisa no Brasil.
Entre os produtos financeiros, os investimentos (65%) são aqueles em que a presença da inteligência artificial é mais valorizada, seguidos por cartão de crédito (44%), pagamentos como Pix e boletos (36%) e conta corrente (30%). Produtos tradicionais como financiamento (29%) e empréstimo (25%) aparecem com menor prioridade, enquanto seguros (16%) e soluções voltadas para pessoa jurídica (11%) ainda não constituem foco relevante.
O estudo também identificou preferências claras quanto ao canal de uso. A maior parte dos participantes, 81%, gostaria de interagir com uma IA integrada ao aplicativo ou site do banco ou carteira digital, sobretudo pela sensação de segurança e pela praticidade de concentrar tudo no mesmo ambiente. Outros 72% veem utilidade em IAs já conhecidas por outras finalidades, confiando na capacidade dessas ferramentas de oferecer sugestões personalizadas sem viés comercial. Já 69% se mostraram abertos a soluções independentes capazes de reunir informações de diferentes bancos e fornecer uma visão consolidada da vida financeira.
As barreiras, contudo, permanecem relevantes. Oito em cada dez consumidores citam o pagamento pelo uso de uma plataforma de IA como principal entrave, seguido pela necessidade de compartilhar dados sensíveis e pelo receio de a tecnologia tomar decisões sem autorização, ambos mencionados por 56% dos entrevistados. Questões de confiança, excesso de alertas, recomendações enviesadas, barreiras linguísticas e limitações de integração também foram apontadas como obstáculos.






