Na segunda reportagem da série especial sobre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), o IA Brasil Notícias detalha como o governo brasileiro quer transformar o país em um centro de formação de talentos em inteligência artificial (IA), com reconhecimento internacional. Essa é a meta principal do segundo eixo do PBIA, que trata da difusão, formação e capacitação em IA. A proposta mira desde o ensino básico até a pós-graduação, incluindo também a qualificação de profissionais do mercado e a popularização da tecnologia entre a população.
📄 Leia a primeira reportagem da série especial sobre o PBIA neste link.
Nos próximos três anos, o governo pretende criar pelo menos 5 mil vagas em cursos de graduação relacionados à IA e capacitar 190 mil profissionais de diferentes áreas. Também está prevista uma campanha nacional de conscientização, com a meta de alcançar 30% da população adulta. Em um horizonte de cinco anos, os objetivos incluem aumentar em 50% o número de formandos em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), qualificar mais 230 mil profissionais em habilidades ligadas à IA e ampliar para 85% o percentual de adultos com conhecimento básico sobre a tecnologia, seus benefícios e riscos.
Para alcançar essas metas, o plano prevê a implementação de três programas principais:
- Programa de Difusão e Divulgação da IA: voltado à ampliação do conhecimento e do interesse da sociedade brasileira pela inteligência artificial. As ações incluem iniciativas de letramento em IA e a disseminação de conteúdo científico e informativo para todos os segmentos da população.
- Programa de Formação em IA: visa fortalecer a formação educacional em IA desde os primeiros anos escolares até a pós-graduação. Entre as ações previstas estão a capacitação de professores da educação básica, a integração da IA ao ensino técnico-profissionalizante, a expansão dos cursos de graduação e a concessão de bolsas de estudos no Brasil e no exterior.
- Programa de Capacitação, Qualificação e Requalificação em IA: tem como foco formar profissionais aptos a atuar no mercado, com ênfase tanto na formação técnica quanto na especialização avançada. A proposta é desenvolver uma força de trabalho qualificada que contribua para a inovação e a competitividade da economia nacional.
Atualmente, o Brasil apresenta avanços na formação em IA no ensino superior, com crescimento no número de cursos de computação e tecnologias da informação desde 2010. Entre 2013 e 2022, foram registradas mais de 25 mil teses e dissertações sobre IA em diversas áreas, o que representa um aumento de 200% na produção acadêmica anual. Apesar disso, apenas 15% dos formandos brasileiros são oriundos de cursos em STEM — índice inferior ao de países como Chile (25%) e México (26%).
Estudos da BRASSCOM apontam uma demanda de 800 mil novos talentos em tecnologia da informação e comunicação (TIC) entre 2021 e 2025, com um déficit estimado de 530 mil profissionais. Já no ensino básico, a presença da IA ainda é incipiente, e o desempenho dos estudantes brasileiros em matemática permanece entre os mais baixos do mundo, segundo dados do Pisa.
Por outro lado, a percepção da população sobre a IA é majoritariamente positiva. Uma pesquisa do Google for Startups mostra que 66% dos brasileiros demonstram entusiasmo com a tecnologia, e 64% acreditam que ela traz mais benefícios do que riscos. O desafio, agora, é estruturar iniciativas para ampliar o conhecimento sobre a IA e preparar a sociedade para lidar de forma crítica com seus impactos.






