O futuro da IA

Projeção de US$ 78 bilhões da Nvidia não empolga investidores, diz CEO da deVere Group

Para Nigel Green, mercado de IA entra em fase de maior escrutínio, com foco em margens e previsibilidade de lucros

Tempo de leitura: 3 minutos


A projeção de receita de US$ 78 bilhões anunciada pela Nvidia não foi suficiente para animar investidores. A avaliação é de Nigel Green, CEO e fundador da deVere Group, que afirma que o mercado de Inteligência Artificial entrou em uma nova fase de maior rigor e exigência por rentabilidade.

Segundo ele, a reação do mercado foi mais reveladora do que os números em si. “Uma projeção de US$ 78 bilhões em receita teria provocado uma forte alta em outros momentos. Agora, o papel recuou antes de recuperar ganhos marginais no after market”, afirma.

Para Green, o movimento indica uma mudança estrutural nas expectativas. “Pelo menos até o fim deste ano, esse é o tom: crescimento excepcional é esperado, não recompensado”, diz. “Os investidores não vão mais comprar exposição à IA a qualquer preço. Eles exigem evidências de lucratividade sustentável, disciplina operacional e visibilidade de retorno. Crescimento de receita, isoladamente, não é suficiente quando as expectativas já estão esticadas.”

A Nvidia segue como peça central da infraestrutura de IA, com forte demanda de hyperscalers, clientes corporativos e iniciativas digitais apoiadas por governos. No entanto, segundo o executivo, o prêmio de valuation atual pressupõe execução praticamente impecável.

Para o restante de 2026, o foco deve se deslocar para a defesa de margens, demonstração de poder de precificação e manutenção de visibilidade de pedidos, em meio ao aumento da concorrência e ao desenvolvimento de chips próprios por grandes operadoras de nuvem.

O mercado também deve acompanhar de perto tendências de margem bruta, dependência de investimentos em capital (capex) por parte de clientes hyperscale e a sustentabilidade das restrições de oferta que sustentaram preços elevados. Qualquer sinal de desaceleração nos investimentos em IA ou avanço de alternativas competitivas pode gerar reações mais intensas.

“Múltiplos elevados exigem previsibilidade elevada”, resume Green. “A Nvidia entregou desempenho extraordinário. Agora precisa entregar consistência em larga escala. Esse é um patamar muito mais alto.”

Efeito sobre todo o ecossistema de IA

A mudança de postura do mercado tende a impactar todo o ecossistema de IA. Fabricantes de semicondutores, produtores de memória avançada, provedores de infraestrutura para data centers e empresas de software focadas em IA acompanharam a valorização da Nvidia nos últimos anos.

Segundo Green, o ambiente agora será mais seletivo. “O mercado começará a diferenciar empresas com geração comprovada de caixa daquelas que ainda dependem principalmente de narrativa”, afirma. “Para o restante do ano, a dispersão entre ações de IA deve aumentar. Líderes de infraestrutura com fluxo de caixa consistente podem sustentar suas posições. Já empresas da camada de aplicações que ainda não provaram monetização podem enfrentar maior volatilidade.”

De acordo com o executivo, investidores institucionais que aumentaram significativamente a exposição ao setor começam a revisar premissas: qual é a taxa de crescimento sustentável após o pico dos ciclos de implantação? Qual o nível de dependência de poucos grandes compradores? O que acontece se o crescimento do capex desacelerar em 2027?

“Os investidores querem visibilidade sobre a durabilidade dos lucros e a solidez do balanço. Estão avaliando empresas de IA como companhias maduras, geradoras de caixa, e não mais como disruptores em estágio inicial”, declarou.

Green conclui: “A revolução da IA permanece intacta, como mostra a projeção de US$ 78 bilhões da Nvidia. No entanto, a reação contida indica que o mercado agora quer provar margens, não apenas momentum. O segundo semestre no setor de IA vai premiar disciplina, transparência e rentabilidade.”

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