O Governo do Piauí e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançaram, nesta terça-feira (9), o SoberanIA, iniciativa criada no estado para treinar e disponibilizar modelos de inteligência artificial desenvolvidos no Brasil e orientados a demandas sociais, econômicas e linguísticas do país. O lançamento ocorreu em Brasília, durante o Encontro Nacional de IA Soberana.
Após a primeira fase, em que modelos treinados no projeto passaram a operar via API em serviços públicos, o programa entra em um novo estágio com a implantação de infraestrutura física distribuída. A proposta é estruturar a primeira “fábrica de IA” da região, com operação articulada entre o Governo do Piauí, o MCTI, a Telebras e as empresas Modular e Scala Data Centers.
Leia também: Scala Data Centers fecha financiamento inédito de US$ 25 milhões com a Caterpillar na América Latina
A nova fase organiza o SoberanIA em três núcleos. O primeiro é a Fábrica de IA do Piauí, que reúne a equipe inicial de pesquisadores e concentra o treinamento, o refinamento e a otimização dos modelos. No local serão conduzidos o desenvolvimento dos modelos fundacionais, o fine-tuning por setor, a preparação de dados e o treinamento contínuo. A operação utiliza energia de baixo custo e matriz local para abastecer a plataforma.
O segundo núcleo é o Cofre de Dados, em Brasília, operado pela Telebras. Instalado em data center Tier IV dentro de área militar, o espaço reúne as bases estratégicas do Estado sob protocolos de segurança física e cibernética. A estrutura concentra governança, guarda e proteção das informações utilizadas pelo SoberanIA.
O terceiro eixo, o Distrito Soberano, será instalado no Sul do país, região escolhida pela disponibilidade energética e condições favoráveis ao uso de GPUs em larga escala. Ali serão realizadas cargas de inferência e ciclos de atualização dos modelos para atender serviços públicos e setores estratégicos, além de garantir contingência entre os nós.
O plano prevê ainda a integração futura de estruturas estaduais de processamento de dados, que poderão operar como núcleos regionais de computação avançada, ampliando capacidade de inferência e especialização local dos modelos.
Novas perspectivas

Durante o lançamento nacional, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou o papel da iniciativa para o país. “Estamos agora nessa etapa de desenvolver a infraestrutura computacional, com tecnologia nacional e sob o domínio do poder público. É dessa forma que a gente vai garantir segurança no trabalho dos dados nacionais, da população, das estatais brasileiras, dos ministérios, das secretarias dos entes da federação, garantindo também o benefício da inteligência artificial na melhoria do serviço público”, afirmou.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, o SoberanIA ampliou sua base de dados em língua portuguesa de 130 bilhões para 350 bilhões de tokens, sob governança para uso comercial. A tecnologia está por trás de aplicações como o “Piauí Oportunidades”, que oferece trilhas de ensino, e o “BO Fácil”, que permite registro de ocorrências por voz via WhatsApp. Com o lançamento nacional, gestores públicos de qualquer estado poderão utilizar modelos generativos treinados com dados brasileiros.
“A primeira fase do SoberanIA provou que o Brasil tem a competência para organizar dados e criar o software. Agora, estamos construindo a infraestrutura. Não estamos apenas contratando um serviço; estamos nacionalizando a capacidade de processamento. Esta infraestrutura é um ativo de segurança nacional que servirá a todos os estados, garantindo que nossos dados e nossa inteligência permaneçam sob comando brasileiro”, completou o governador.
A ministra Luciana Santos afirmou que o projeto está alinhado às prioridades do MCTI. “Este evento simboliza a maturidade da nossa agenda de transformação digital e reforça o compromisso do MCTI com o desenvolvimento de soluções de IA que valorizem nossa língua, nossa cultura e nossas necessidades reais”, disse.
O presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Piauí (Etipi), Ellen Gera, também participou do evento e destacou o uso da tecnologia em serviços estaduais. “A inteligência artificial é uma tecnologia que tem transformado o serviço público, as relações humanas, o contexto econômico. O Governo do Piauí não se furtou do debate e do desenvolvimento dessa tecnologia em solo piauiense, aplicado no Saúde Digital e no BO Fácil, por exemplo”, afirmou. Ele explicou que a Etipi participa do processamento dos dados e do treinamento dos algoritmos que compõem o SoberanIA.






