A Qualifica AI, edtech fundada em 2023 por Wagner Amorim, quer usar inteligência artificial para identificar talentos ocultos em regiões periféricas e capacitá-los para o mercado de tecnologia da informação (TI).
O projeto-piloto começou em Salvador, com 60 estudantes — 50 apoiados pela Prefeitura e 10 pelo Instituto Localiza — além de 60 bolsas de inglês oferecidas pela Fluencypass. O interesse foi expressivo: 1.700 jovens se inscreveram em apenas quatro bairros do subúrbio, e após testes vocacionais e entrevistas, 70 foram selecionados.
“Nosso foco é formar talentos reais, começando pela descoberta de aptidões e terminando na empregabilidade. Em muitos casos, é a primeira chance concreta de mudança de vida”, explica Amorim. “O Brasil representa apenas 0,2% da força global de trabalho em TI. Preparar talentos locais é não só uma oportunidade estratégica, mas um dever social”, acrescentou.
O diferencial do programa está no teste vocacional desenvolvido pela própria edtech, voltado a jovens em situação de vulnerabilidade. O algoritmo analisa competências cognitivas e comportamentais, eliminando viés socioeconômico e promovendo igualdade de oportunidades.

O sistema foi criado e aprimorado com o apoio de três PhDs do Centro de Inteligência Artificial da USP (CIAAM) e segue sendo atualizado conforme os dados coletados das novas turmas.
“Nosso teste é rigoroso, mas acessível. Ele identifica potenciais que o mercado jamais enxergaria sozinho. É o coração da inclusão produtiva que defendemos”, afirma o fundador.
A iniciativa também conta com o apoio da Fundação Anísio Teixeira e do Novo Mané Dendê, escritório social que atua na mobilização comunitária.
Com taxa de empregabilidade acima de 80%, a Qualifica AI já negocia a expansão para outros municípios da Bahia, além de conversas com Sergipe, Santa Catarina, São Paulo e Paraná.
A startup pretende formar 2.000 alunos até 2026 e 10.000 até 2027, com receita projetada entre R$ 4 e 6 milhões no próximo ano. Em 2024, captou R$ 2,6 milhões em rodada friends & family, que contou com investidores como Mauro Mariz (ex-Riachuelo), e prepara uma nova rodada de R$ 10 a 15 milhões com fundos de venture capital.






