Entrevista

Startup brasileira de IA com foco em comunidades digitais planeja expansão a partir de 2026

Criada por Adriana Rocha, a Wortya foi lançada no Web Summit Lisboa, já atua no exterior e está em fase de testes com primeiros usuários

Tempo de leitura: 4 minutos


Lançada oficialmente no Web Summit Lisboa, em novembro, a startup brasileira Wortya aposta no uso de inteligência artificial para estruturar o que chama de “Comunidade 5.0”, um modelo voltado ao resgate de conexões autênticas e ambientes de aprendizado e simulação. Criada pela executiva Adriana Rocha, a empresa já nasce com atuação internacional, está em fase de testes com os primeiros usuários e empresas parceiras e planeja acelerar sua expansão a partir de 2026, com a meta declarada de alcançar o status de startup unicórnio nos próximos anos.


Como surgiu a startup e como se dá a atuação da empresa no mercado?

A Wortya nasceu para resolver uma grande necessidade que identificamos no mercado. Trago mais de 20 anos de experiência construindo comunidades online para grandes marcas nacionais e multinacionais. A Wortya nasceu com o desafio de evoluir o que chamamos de “Comunidade 5.0”. Somos uma startup de IA focada em uma inteligência humanizada, que atua em prol de um propósito comum de evolução e aprendizado.

Como a IA da Vorthia se diferencia nesse aspecto?

Não queríamos uma IA que apenas gerasse conteúdo mais rápido ou sintetizasse aprendizados, que são as aplicações mais comuns das LLMs (Large Language Models). Nosso desafio era trazer inovação real.

Partimos da premissa de que a IA hoje detém uma “memória universal” de todo o conhecimento digitalizado do mundo. O ponto é: como usar isso em prol das pessoas? As LLMs têm limitações, mas funcionam muito melhor quando são bem guiadas.

Por isso, trazemos contexto e memória de curto prazo, ensinando a IA a se relacionar com as pessoas de forma benéfica. O “pulo do gato” é que essas redes neurais simulam o funcionamento do cérebro humano. Na Wortya, nosso módulo core trabalha com o que chamamos de “pessoas sintéticas” ou Digital Twins (gêmeos digitais).

Foto: DC Studio/Freepik

Poderia explicar melhor como funcionam essas “pessoas sintéticas”?

São simulações digitais de entidades do mundo real. Estamos focando em sintéticos que representam uma inteligência coletiva. Essa tecnologia permite modelar clusters de um determinado mercado ou grupo de clientes. Conseguimos criar representações que entendem como um grupo específico se comporta e sente, permitindo inclusive predizer comportamentos futuros.

Você poderia detalhar o conceito de “Comunidade 5.0” para os nossos leitores?

A Comunidade 5.0 resgata a autenticidade e as conexões verdadeiras da primeira geração de comunidades digitais, como víamos no início do Orkut, onde as pessoas eram autênticas e conversavam de verdade. Hoje, há uma carência por ambientes sem conteúdos falsos.

O conceito une esse resgate da confiança e autenticidade ao uso responsável da inteligência artificial. O foco é sempre o bem-estar das pessoas, utilizando a tecnologia como um pilar de suporte.

Para os participantes, o ganho é o resgate de um ambiente de aprendizado e conexões verdadeiras. Para as empresas, essas comunidades criam um potencial enorme de simulação e aprendizado.

Quais seriam as potenciais aplicações para as empresas?

Se as empresas possuem grandes volumes de dados (Big Data) sobre seus clientes, nós damos vida a esses dados. É uma forma de olhar para as transações e transformá-las em representações fiéis de clientes potenciais para realizar simulações.

Já estamos testando ambientes onde pessoas conversam com sintéticos e sintéticos conversam entre si. Podemos simular, por exemplo, a reação do público a determinadas mudanças em um determinado produto. Essa inteligência sintética ajuda na tomada de decisões rápidas e assertivas, pois acessa a memória coletiva com um nível de precisão muito alto.

Foto: Freepik

Em que fase a startup se encontra atualmente? Quando foi o lançamento oficial?

Lançamos a Wortya no início de outubro. Estamos na fase de trabalhar com alguns early adopters para realizar os primeiros testes e simulações. Já nascemos como uma startup global, com braços nos Estados Unidos e na Europa. A partir de 2026, iniciaremos um processo mais acelerado de expansão de mercado e de base de clientes.

Pode detalhar mais sobre quais são os próximos passos e planos para o futuro próximo?

Para o primeiro trimestre do próximo ano, lançaremos um aplicativo que permitirá às pessoas compartilharem experiências em tempo real. Isso gerará dados valiosos sobre sentimentos e expressões no momento exato em que a experiência ocorre.

Também estamos focados em acelerar nosso módulo de simulação de pessoas sintéticas. Como somos uma empresa de software, também estabelecemos parcerias. Outras startups poderão usar nossa tecnologia proprietária para criar seus próprios gêmeos digitais, seja para treinamento, coaching ou outras verticais. Além disso, estamos trabalhando com agências de publicidade e comunicação para que elas incorporem a Comunidade 5.0 em suas estratégias de relacionamento e jornada do cliente.

Onde a Wortya pretende chegar nos próximos anos? Qual é a grande meta da empresa?

Nossa missão é nos tornarmos um unicórnio global. Recebemos feedbacks muito positivos em congressos de inovação, como o Web Summit em Lisboa. Vemos a Wortya ocupando um espaço único no mercado, e o objetivo é acelerar esse crescimento nos próximos dois ou três anos para alcançar essa meta.

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