A chamada “onda azul” do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos está provocando muito nervosismo no mercado financeiro. Investidores estão temendo que a vitória dos democratas possa comprometer o atual ciclo de alocação de vastos recursos em inteligência artificial (IA).
Nesta sexta-feira (6), as ações de tecnologia voltaram a enfrentar forte pressão, após uma sessão de perdas expressivas em Wall Street na véspera. A preocupação está relacionada, sobretudo, à reação política aos impactos ambientais e comunitários da construção de novos data centers, que transformou os investimentos em IA em um dos temas centrais da disputa eleitoral norte-americana.
Com a conquista do controle da Câmara dos Representantes e do Senado, além de avanços em disputas estaduais, os democratas ampliaram sua influência no cenário político. O resultado despertou receios de que parlamentares do partido possam impor restrições ou atrasar projetos voltados à expansão da infraestrutura necessária ao desenvolvimento da inteligência artificial.
O movimento de aversão ao risco ficou evidente na quinta-feira (5). Além do Nasdaq, outros importantes índices de Wall Street encerraram o pregão em forte queda. As sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos — Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla, conhecidas como Magnificent Seven — perderam, juntas, US$ 1,036 trilhão em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. A cifra supera a capitalização de todas as companhias listadas na B3, estimada em US$ 857 bilhões.
Na sessão desta sexta-feira, o desempenho dos mercados norte-americanos apresentava maior volatilidade, com os principais índices oscilando entre altas e baixas. No momento da publicação desta reportagem, o Dow Jones recuava 0,098%, enquanto o S&P 500 avançava 0,653% e o Nasdaq Composite registrava alta de 1,1%.
Na Europa, por outro lado, predominava o movimento de queda. O índice pan-europeu STOXX 600, que reúne empresas de 17 países e funciona como uma das principais referências para o mercado acionário da região, recuou 1%.
Entre as principais bolsas europeias, o FTSE 100, de Londres, caiu 1,01%, aos 10.673,94 pontos. Em Frankfurt, o DAX perdeu 2,02%, aos 25.794,12 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, registrou baixa de 0,81%, aos 8.139 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,90%, aos 50.052,96 pontos. Já o Ibex 35, de Madri, caiu 0,85%, aos 19.319,50 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, teve retração de 0,07%, aos 9.476,73 pontos. As cotações são preliminares e consideram os dados disponíveis até o fechamento desta reportagem.
Na Ásia, as principais bolsas também encerraram a sexta-feira em forte baixa, refletindo as perdas registradas em Wall Street. Japão e Coreia do Sul estiveram entre os mercados mais afetados, com recuos próximos de 6%.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi, que acompanha o desempenho das principais companhias do país, chegou a despencar 8,8% durante o pregão. A intensidade da queda acionou o circuit breaker, mecanismo utilizado para interromper temporariamente as negociações diante de oscilações extremas. As operações ficaram suspensas por 20 minutos. Após a retomada, o indicador recuperou parte das perdas, mas ainda fechou em baixa de 6,02%.






