Um levantamento da Fracttal, intitulado “Inteligência Artificial e Manutenção no Brasil”, indica que a adoção de inteligência artificial vem se consolidando como tendência nas empresas, mas ainda enfrenta limitações no setor de manutenção.
De acordo com o estudo, 68% dos entrevistados confiam na tecnologia para reduzir custos operacionais e evitar falhas. Apesar disso, apenas 1% afirma ter implementado a IA de forma completa em suas operações.
A maior parte das organizações ainda se encontra em estágios iniciais. Segundo o levantamento, 55% planejam adotar a tecnologia em breve, enquanto 21% estão realizando testes. Outros 23% dizem não utilizar IA e não têm planos de adoção no curto prazo.
Para Priscila Rodrigues, gerente de marketing da Fracttal, os dados indicam um cenário de transição.
“A diferença entre a baixa taxa de adoção atual e a alta intenção de implementação sugere que a adoção deve acelerar nos próximos anos”, afirma.
O estudo aponta que muitas empresas ainda estão em fase de preparação, com projetos piloto e avaliações antes de avançar para uma implementação completa. Fatores como incertezas sobre a tecnologia, escassez de casos de uso locais e priorização de outras iniciativas contribuem para o ritmo mais lento de adoção.
Entre os benefícios esperados, os respondentes destacam o aumento da confiabilidade e da eficiência operacional. A principal aplicação apontada é a manutenção preditiva, citada por 41% dos entrevistados, seguida pela redução de custos e otimização de recursos, com 27%.
A preferência por manutenção preditiva acompanha tendências globais, nas quais a inteligência artificial permite a transição de uma abordagem reativa para uma atuação mais proativa, antecipando falhas e reduzindo interrupções.
“O foco das implementações iniciais de IA se alinha às áreas de maior valor percebido pelos respondentes, que são manutenção preditiva, confiabilidade e eficiência. A preferência por tecnologias como IoT, análise de dados e diagnósticos automatizados indica que a maioria das iniciativas desenvolvidas futuramente se concentrará na antecipação de falhas e na otimização das operações”, acrescenta.
Desafios para adoção
Apesar do potencial, a adoção de IA na manutenção enfrenta obstáculos. O estudo aponta que a escassez de profissionais qualificados é o principal desafio, citado por 41% dos entrevistados, seguida pelos custos iniciais, mencionados por 32%.
Outras barreiras incluem resistência à mudança e falta de confiança nos resultados da tecnologia.
“Os resultados reforçam que, sem os talentos certos, implementar e gerenciar soluções de IA torna-se desafiador. Por isso, o desenvolvimento de profissionais especializados e o fomento de uma cultura aberta à inovação são fundamentais para concretizar o emprego da tecnologia nas organizações. Os empreendimentos que adotarem a IA integrando tecnologia, pessoas e processos ganharão em confiabilidade, custos e segurança. Por outro lado, aqueles que adiarem a adoção poderão ficar para trás em um ambiente cada vez mais inteligente e orientado por dados”, conclui a executiva.






