A inteligência artificial se consolidou como o principal fator de transformação no cenário de cibersegurança, segundo o relatório Global Cybersecurity Outlook 2026, do World Economic Forum em parceria com a Accenture. De acordo com o estudo, 94% dos líderes apontam a tecnologia como o principal motor de mudança, atuando tanto na defesa quanto no aumento da sofisticação de ataques.
O levantamento indica que 77% das organizações já utilizam ferramentas de IA em estratégias de cibersegurança, sendo 52% voltadas à detecção de phishing. Ao mesmo tempo, 87% dos executivos consideram as vulnerabilidades relacionadas à IA como o risco cibernético de crescimento mais rápido.
Apesar da adoção acelerada, a preparação ainda é desigual. A proporção de empresas que avaliam a segurança de ferramentas de IA passou de 37% em 2025 para 64% em 2026, mas cerca de um terço das organizações ainda não possui processos para validar esses sistemas antes da implementação. Entre empresas consideradas mais resilientes, 83% realizam esse tipo de avaliação, contra 39% nas de menor maturidade.
O estudo também aponta uma mudança nas prioridades da alta liderança. Em 2026, a principal preocupação dos CEOs deixou de ser ransomware e passou a ser fraude cibernética e phishing. Segundo o relatório, 73% dos executivos afirmaram que eles próprios ou pessoas próximas foram impactados por esse tipo de crime no último ano.
Essa mudança, no entanto, não é acompanhada na mesma intensidade pelas áreas técnicas. Entre CISOs (Chief Information Security Officers), a fraude aparece apenas como a terceira maior preocupação, enquanto o ransomware permanece na liderança. Para CEOs de empresas mais resilientes, por outro lado, esse tipo de ataque já ocupa posições inferiores na lista de riscos.
O relatório também destaca ameaças emergentes que tendem a ganhar relevância até o fim da década. Entre elas estão os ataques ciberfísicos, que podem gerar impactos diretos em ambientes industriais e logísticos — hoje já citados por 26% dos líderes.
Outro ponto de atenção é a infraestrutura crítica. Embora 99% do tráfego internacional de dados dependa de cabos submarinos, apenas 18% das empresas consideram esse risco em seus planos. Tecnologias espaciais, como satélites, são mencionadas por apenas 15% dos entrevistados.
A computação quântica também aparece como um vetor relevante. Para 37% dos executivos, essas tecnologias devem impactar a segurança digital nos próximos 12 meses, especialmente pela capacidade de comprometer sistemas atuais de criptografia.
O estudo ouviu mais de 100 CEOs e centenas de executivos de nível C, reunindo percepções sobre tendências e desafios para a segurança digital em 2026.






