Entrevista

AutoGenius AI amplia atuação e leva agentes de IA para novos segmentos além do atendimento

Empresa passa a aplicar tecnologia em processos internos de organizações, com projetos em gestão pública e setor industrial

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A AutoGenius AI, sediada em Recife (PE) e especializada em agentes de inteligência artificial para WhatsApp, está ampliando seu campo de atuação para além do atendimento ao cliente. A companhia vem implementando soluções voltadas à automação de processos internos em diferentes setores, incluindo projetos em gestão pública, com prefeituras na Paraíba, e no segmento industrial, com uma usina em Alagoas. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, o CEO da AutoGenius AI, Yuri Matos, fala dos planos da companhia e das perspectivas com o mercado de IA no Nordeste e no Brasil.


Como surgiu a ideia de fundar a empresa?

Iniciei minha trajetória como engenheiro de Inteligência Artificial há cerca de quatro anos. Comecei trabalhando com dados de IA em uma empresa israelense e, posteriormente, fui convidado para integrar a Amigo Tech, uma empresa brasileira que atua como um ecossistema de saúde. Lá, participei do início de uma equipe de IA voltada ao desenvolvimento de um produto interno. Esse projeto foi muito bem-sucedido, e recebemos uma premiação internacional no Google Cloud Next ’25 — uma das maiores conquistas para uma startup brasileira nessa área.

Após esse projeto, senti vontade de empreender porque percebi uma lacuna clara no mercado. O grande estalo veio de uma experiência pessoal ao tentar marcar consultas médicas. Percebia que o atendimento humano era muito demorado e a comunicação era ineficiente. Por outro lado, quando o atendimento era feito por robôs tradicionais, a experiência era frustrante.

Pensei, então, em unir o melhor dos dois mundos: usar a tecnologia de forma humanizada. Minha visão é que a IA não deve substituir as pessoas, mas sim assumir o trabalho repetitivo para que o profissional possa focar no trabalho essencial.

Como está a atuação da AutoGenius no momento? Vocês já oferecem essas soluções de agentes de IA ao mercado?

Atualmente, atuamos em 13 segmentos diferentes. Embora tenhamos soluções para diversas áreas, nosso foco principal está nos setores de medicina, gastronomia (restaurantes) e advocacia. No caso dos escritórios de advocacia, por exemplo, o advogado frequentemente precisa interromper seu trabalho para responder a clientes que buscam atualizações sobre o andamento de processos.

Nossa solução automatiza esse processo: a IA identifica o caso a partir do CPF do cliente e envia informações atualizadas. Além disso, sempre que houver uma nova etapa processual, o sistema dispara um gatilho informativo explicando o que aquela mudança significa. É um facilitador extraordinário que atua como um parceiro ou ferramenta de suporte, sem jamais substituir a figura do advogado.

Quais são os próximos passos, planos e perspectivas de novidades da empresa?

Nossa meta é ir além de sistemas que apenas respondem perguntas. A tendência da IA não é apenas o diálogo, mas a execução: o “fazer”. Atualmente, muitas empresas focam em chatbots de atendimento, que já realizam agendamentos e recepção de pagamentos, mas queremos ampliar essa capacidade de execução para facilitar ainda mais a gestão.

Esse “fazer mais” envolve, por exemplo, o controle financeiro automatizado de uma empresa, como o fechamento de mensalidades e pagamentos por consultoria. Em minha trajetória, observei muitas empresas brasileiras em que os colaboradores passam o dia inteiro alimentando planilhas de Excel. Nosso objetivo é automatizar esses processos por meio de agentes de IA e eliminar essa dependência do trabalho manual repetitivo.

Esse plano de diversificação já está em curso? Poderia citar alguns dos contratos em execução?

Recentemente, fomos contratados por uma empresa de gestão pública que atende diversas prefeituras na Paraíba. O processo de integração de uma nova prefeitura envolvia inúmeras etapas repetitivas, como a criação de painéis de controle (dashboards) e tarefas específicas de fechamento de contrato. Nós automatizamos todo esse fluxo. No momento em que o contrato é fechado, a IA cria todas as etapas simultaneamente, monitora prazos e envia alertas caso algo não seja cumprido. Nesse cenário, a IA já começa a atuar de forma estratégica, quase como um gestor assistente. Também atuamos em uma usina em Alagoas, onde estamos implementando o controle de materiais e da frota de veículos.

Nesses dois casos específicos, não estamos utilizando a IA para o atendimento ao cliente final, mas sim para otimizar processos internos.

Foto: Freepik

Como você avalia o mercado de Inteligência Artificial no Nordeste? Quais são as maiores oportunidades e os desafios que você encontra no dia a dia?

Por estarmos em Pernambuco, um estado que já possui um ecossistema tecnológico consolidado, a introdução desse assunto é um pouco mais fácil. No entanto, ainda existe muita desconfiança, principalmente por parte de pessoas mais tradicionais, que questionam a eficácia da ferramenta.

Para lidar com essa insegurança, adotamos uma política de garantia: se a solução não funcionar, devolvemos todo o dinheiro investido. Foi a melhor forma que encontramos para gerar confiança. O fato é que a IA reduz drasticamente os custos operacionais; uma tarefa que antes exigia três pessoas pode passar a ser realizada por apenas uma, trabalhando em conjunto com a tecnologia. No início, sempre enfrentamos certa resistência, mas, após a implementação, o cliente percebe o valor. Já tivemos casos de clientes que hesitaram por meses e, após testarem, lamentaram não ter adotado a solução antes.

Como você avalia a evolução do mercado de IA no Brasil como um todo?

Vejo que o Brasil tem total potencial para ser — e, de certa forma, já é — o centro da Inteligência Artificial na América Latina. Esse destaque não se deve necessariamente ao volume de investimentos, mas sim à capacidade e à criatividade do brasileiro. Somos um povo capaz de transformar pequenos recursos em grandes soluções. Participo de grupos de fundadores de startups e percebo um entusiasmo contagiante; há muita gente inovando e buscando soluções disruptivas, mesmo enfrentando um cenário de investimento em tecnologia mais restrito, se comparado a outros países. O trabalho que está sendo desenvolvido aqui é de altíssima qualidade.

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