Automação inteligente

Brasil lidera maturidade em automação e IA na América Latina, aponta relatório

Estudo indica avanço tecnológico no país, mas destaca desafios de integração, escala e redesenho de processos para gerar impacto nos negócios

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O Brasil aparece na liderança em maturidade de automação e inteligência artificial na América Latina, segundo o Relatório de Tendências em Automação Inteligente (IPA) 2026, elaborado pela Ecosistemas Global. O estudo ressalta, porém, que o avanço tecnológico ainda não se converte automaticamente em resultados concretos para as empresas, diante de obstáculos como integração de sistemas, revisão de processos e diferentes níveis de maturidade organizacional.

A análise abrange mercados da América Latina, Espanha e Estados Unidos e aponta uma nova etapa da automação corporativa. Nesse cenário, a tecnologia deixa de atuar apenas na execução de tarefas repetitivas e passa a interpretar informações, aprender com dados e apoiar decisões, ampliando sua presença em processos considerados estratégicos.

No recorte regional, o Chile se destaca por uma adoção estruturada e orientada por estratégia. O México apresenta crescimento acelerado impulsionado pelo nearshoring, enquanto a Argentina mantém foco em eficiência operacional e potencial de avanço.

Entre os principais casos de uso citados no relatório estão onboarding digital, detecção de fraude e compliance nos setores bancário e de seguros, processamento de dados clínicos e automação de escalas na saúde, manutenção preditiva e otimização operacional em energia, além de pricing dinâmico, gestão de inventário e atendimento automatizado no varejo.

Segundo a Ecosistemas Global, as organizações mais avançadas compartilham quatro características principais: automatizam processos de ponta a ponta, integram inteligência artificial, dados e automação, medem impacto no negócio e alinham tecnologia à estratégia corporativa. Nesse contexto, a automação inteligente deixa de ser um projeto isolado e passa a ser tratada como capacidade organizacional.

Entre os desafios mais recorrentes aparecem a automação de processos ineficientes, ausência de estratégia clara, integração com sistemas legados, resistência cultural e escassez de profissionais qualificados. O estudo resume esse ponto ao afirmar que automatizar processos ineficientes não reduz custos, apenas amplia problemas existentes.

De acordo com especialistas da consultoria, embora o uso empresarial de IA tenha alcançado 20,2% em 2025, a adoção entre pequenas empresas segue bem abaixo do observado em grandes organizações.

“Em um cenário em que a inteligência artificial se integra a todos os processos, a vantagem competitiva tende a estar menos em automatizar mais e mais em implementar melhor, com estratégia, integração e capacidade de escala”, finaliza Rodrigo Cabot, gerente de P&D da Ecosistemas Global.

O relatório completo (em espanhol) está disponível neste link

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