O avanço da inteligência artificial tem levado empresas a investir no chamado upskilling em IA, processo de desenvolvimento de habilidades internas para incorporar a tecnologia à rotina de trabalho. A proposta é transformar a IA em uma ferramenta aplicada, com uso estruturado em processos e tomada de decisão.
Na avaliação de Fabio Tiepolo, CEO da StaryaAI, o movimento envolve a criação de uma base comum de conhecimento dentro das organizações, com definição de critérios de uso e diretrizes de segurança.
“O upskilling em inteligência artificial tem deixado de ser uma tendência conceitual para se tornar uma prática operacional nas empresas. O processo consiste em elevar o nível cognitivo das organizações, criando linguagem comum, critérios de uso e segurança para que a IA seja incorporada ao dia a dia. O ponto de partida deve ser um caso real, com dor concreta, indicadores definidos e espaço para experimentação controlada, reduzindo a percepção de risco entre os colaboradores”, esclarece o especialista.
Na prática, a adoção depende do desenvolvimento de competências, principalmente entre profissionais não técnicos. Entre elas estão o entendimento básico sobre IA, a capacidade de formular perguntas, interpretar respostas e converter demandas de negócio em aplicações. Empresas que avançam nesse processo também passam a medir resultados em duas dimensões: uso, com indicadores como número de usuários ativos e processos impactados, e impacto, com métricas relacionadas à produtividade, redução de custos e qualidade de serviço.
“Upskilling em IA é transformar curiosidade em capacidade operacional. Quando o time começa a usar a tecnologia em um processo real, com regras claras e baixo risco, a resistência diminui e a IA passa a ser vista como apoio prático ao trabalho”, afirma Tiepolo.
O executivo aponta que parte das empresas ainda trata a IA como iniciativas isoladas, sem integração com a estratégia. A falta de governança, objetivos definidos e envolvimento da liderança tende a limitar os resultados. “Em contrapartida, organizações que integram a IA aos fluxos operacionais, com indicadores de ROI e responsáveis definidos, conseguem transformar a experimentação em capacidade escalável”, ressalta.
Um dos exemplos citados envolve a operação da dr.consulta, em que a adoção de agentes de IA elevou a conversão de 5% para 30%, reduziu custos em cerca de 75% em comparação a uma operação humana equivalente e atingiu NPS de 95 pontos. Segundo o especialista, além dos ganhos operacionais, houve redirecionamento da equipe para atividades de maior valor.
“A IA é uma realidade, as empresas que entenderem isso e começarem a utilizá-la da maneira correta, com certeza, sairão à frente”, avalia.
Para os próximos anos, a tendência é que a vantagem competitiva esteja na capacidade interna de operar com inteligência artificial. “Empresas que investirem em upskilling tendem a ganhar velocidade de execução, segurança no uso e maior clareza na tomada de decisão. Já aquelas que não estruturarem esse processo devem enfrentar dificuldades para transformar ferramentas em resultados concretos”, completa Tiepolo.






