A rápida expansão dos data centers voltados à inteligência artificial nas Américas está colocando pressão sobre a infraestrutura elétrica da região. O alerta é da Wärtsilä, fornecedora finlandesa de sistemas de energia para os setores de energia e data centers, que aponta o descompasso entre a construção dessas instalações e a capacidade de fornecimento de energia como um dos principais desafios para o avanço da IA.
Segundo a empresa, esse cenário, chamado de “speed to powerless”, é provocado pelo acúmulo de filas para conexão à rede elétrica, limitações na transmissão de energia, prazos elevados para entrega de equipamentos e atrasos em processos de licenciamento.
A avaliação faz parte do estudo “Beyond the Grid: Building the Power System for AI in the Americas”, que analisa a infraestrutura energética para data centers nos Estados Unidos, Brasil, México, Chile e Argentina com base em informações do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, da Agência Internacional de Energia e de órgãos nacionais de planejamento energético.
No Brasil, o levantamento destaca que a projeção de consumo dos data centers conectados à rede de transmissão até 2030 foi revisada em 60%, passando de 18,9 TWh para 30,3 TWh por ano apenas três meses após a divulgação do Planejamento Anual da Operação Energética para o período de 2026 a 2030. Segundo a Wärtsilä, a revisão demonstra a velocidade com que a demanda do mercado vem superando as previsões.
“A corrida para construir data centers nas Américas é extraordinária em seu ritmo e escala. Mas o fornecimento de energia não está acompanhando a situação. As filas de interconexão se estendem por anos, a capacidade de transmissão está ficando saturada nos corredores onde os data centers estão se concentrando, e os prazos de entrega dos equipamentos estão adiando as entregas para 2030 e além”, afirma Risto Paldanius, vice-presidente da Wärtsilä nas Américas.
Segundo o executivo, o risco não é que o mercado desacelere — é que ele cresça mais rápido do que pode ser abastecido de forma confiável. “Chamamos isso de ‘speed to powerless’, e as evidências sugerem que essas pressões podem se transformar em uma séria restrição”, acrescentou.
A análise da Wärtsilä examina cada mercado individualmente. No Brasil, a expansão da transmissão planejada centralmente significa que a capacidade de fornecimento aos corredores de data centers pode demorar anos, agravada pelo regime tributário Redata proposto – atualmente em análise no Senado -, que está influenciando diretamente a seleção de tecnologias.
Para a empresa, os data centers devem ser planejados como infraestrutura de longo prazo, com estratégias que integrem a expansão da capacidade energética desde o início dos projetos. Segundo a Wärtsilä, esse planejamento permitirá acelerar a entrada em operação das instalações, aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia e criar uma infraestrutura capaz de sustentar o crescimento da inteligência artificial na região.






