Ameaça

Centros de dados enfrentam riscos crescentes com eventos climáticos extremos, aponta relatório

Estudo global da XDI mostra que hubs da América Latina, incluindo São Paulo e Santiago, estão entre os mais expostos a enchentes e outros desastres até 2050

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Data centers em funcionamento ou em desenvolvimento em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil e em países da América Latina, estão cada vez mais suscetíveis a ameaças físicas provocadas por fenômenos climáticos extremos. A constatação é do Relatório Global XDI 2025 sobre Risco Climático Físico e Adaptação em Centros de Dados, divulgado nesta quarta-feira pela Cross Dependency Initiative (XDI), organização especializada na avaliação de riscos relacionados às mudanças do clima.

Considerado o levantamento mais abrangente já feito sobre os impactos climáticos em data centers, o estudo avaliou cerca de 9 mil instalações, entre existentes e projetadas, e ranqueou os principais polos tecnológicos globais conforme o grau de exposição a oito tipos de riscos ambientais — incluindo alagamentos urbanos e costeiros, ciclones, incêndios florestais e inundações de rios. As projeções consideram diversos cenários climáticos com horizonte até 2050.

A América Latina aparece com destaque no relatório. Santiago, no Chile, ocupa a 15ª colocação no ranking global, com 49 centros avaliados. De acordo com a XDI, 16,33% dessas estruturas poderão estar em situação de alto risco até 2050, principalmente em razão de enchentes fluviais. Já São Paulo aparece na 23ª posição, com 73 centros analisados. A previsão é de que 10,96% deles enfrentem risco elevado no mesmo período, também por causa das inundações.

Buenos Aires, apesar de não figurar no ranking global, apresenta uma taxa ainda maior: 19% dos centros de dados da capital argentina foram classificados como de alto risco. O levantamento também destaca outras cidades da região, como Rio de Janeiro, Querétaro (México) e Bogotá (Colômbia), que reúnem entre 15 e 20 centros cada, com aproximadamente 15% projetados para estar em risco elevado até meados do século.

“Centros de dados são o motor silencioso da economia global. Mas à medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos, as estruturas físicas que sustentam o nosso mundo digital estão cada vez mais vulneráveis,” afirma o Dr. Karl Mallon, fundador da XDI.

O estudo aponta ainda que, embora a maior parte dos centros de dados latino-americanos esteja localizada em grandes metrópoles, há uma tendência de descentralização dos investimentos. No México, por exemplo, o principal polo não está na capital, mas sim na cidade de Querétaro. Essa interiorização deve impulsionar a demanda por infraestrutura essencial, como energia e abastecimento de água.

Outro alerta do relatório está relacionado aos custos de seguro. Segundo a XDI, caso não sejam adotadas estratégias eficazes de adaptação e mitigação, os gastos com seguros para centros de dados poderão triplicar ou até quadruplicar no mundo até 2050. A organização estima que investimentos direcionados em resiliência podem poupar bilhões de dólares anualmente em prejuízos.

“Sem investimentos ambiciosos e contínuos na redução de emissões para limitar a gravidade da mudança climática, nenhum nível de reforço estrutural protegerá plenamente esses ativos críticos”, conclui o relatório.


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