Na terceira reportagem especial sobre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), o IA Brasil Notícias destaca as estratégias traçadas para que o Brasil se torne referência mundial no uso estratégico e ético da IA dentro da administração pública. O objetivo do PBIA é seguir os passos do avanço digital que o país já demonstrou em áreas como Governo Digital, ampliando agora a adoção de soluções baseadas em IA para reduzir custos operacionais, melhorar a oferta de serviços e promover a inclusão social.
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Entre as metas estabelecidas no plano, está a implementação de soluções de IA em dez órgãos federais por ano, com foco em pelo menos cinco áreas críticas — como saúde, educação, meio ambiente e segurança pública.
O governo também pretende capacitar 20% dos servidores públicos federais nos conceitos básicos da tecnologia e lançar um programa nacional para o desenvolvimento de soluções de IA com a participação de startups e empresas brasileiras.
A iniciativa inclui ainda a criação de uma Infraestrutura Nacional de Dados (IND), com a publicação de uma política de governança, a migração de dados sensíveis para ambientes em nuvem do governo e o lançamento de um catálogo nacional de metadados. A expectativa é que, em cinco anos, 70% dos órgãos federais e 50% dos estaduais utilizem IA para aprimorar seus serviços.
“Visamos a catalogar ou recatalogar 2.000 conjuntos de dados do governo federal, ampliar o uso da nuvem de governo para dados sensíveis e/ou críticos, e personalizar a comunicação digital em pelo menos 50 serviços públicos digitais, aproveitando plenamente a IND”, diz um trecho do PBIA.
Uma das estratégias centrais para atingir esses objetivos é a formação do Núcleo de Inteligência Artificial do Governo Federal, coordenado pela Secretaria de Governo Digital (SGD). O núcleo terá a missão de articular iniciativas, promover a colaboração e a troca de conhecimento, acelerar a transformação digital do governo, fomentar o compartilhamento de boas práticas e monitorar o impacto do uso da IA no setor público. A equipe contará com representantes do MGI, MCTI, Enap, Serpro e Dataprev.
Outro destaque do Eixo 3 é o Programa de Soluções de IA para Serviços Públicos, que busca incentivar a criação de tecnologias voltadas para desafios específicos da administração. Já existem exemplos práticos no país: segundo dados do Cetic.br, mais de 30% dos órgãos federais e estaduais já utilizam ao menos uma tecnologia de IA, com foco em mineração de texto, predição de dados e automação de processos.
Entre as iniciativas já em curso, estão a Plataforma Inteligente do MCTI, que apoia políticas públicas em cidades, e os editais da Finep em parceria com MGI, MCTI e Enap, que financiaram 17 projetos com impacto direto na qualidade dos serviços públicos.
Apesar dos avanços, o uso da inteligência artificial no setor público ainda é considerado limitado. O PBIA destaca que será necessário desenvolver um ecossistema nacional de inovação em IA, integrando universidades, startups, empresas e o próprio governo. A proposta é criar um ambiente favorável à experimentação, adoção e escalabilidade de novas soluções para transformar o Estado brasileiro.






