Reportagem especial

Plano brasileiro quer que 40% das empresas nacionais adotem IA em até cinco anos

Quarta reportagem da série sobre o PBIA detalha planos para adoção de tecnologias, criação de hubs de inovação e expansão da cadeia produtiva nacional

Tempo de leitura: 3 minutos


O governo brasileiro traçou metas ambiciosas para ampliar o uso de inteligência artificial (IA) no setor empresarial. Na quarta reportagem da série especial sobre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), vamos abordar os principais pontos do Eixo 4, voltado à “IA para inovação empresarial”. Em três anos, o governo pretende ampliar para 25% a taxa de adoção de soluções de IA por empresas nos setores de indústria, agronegócio e serviços. Já no horizonte de cinco anos, o plano projeta que 40% das empresas brasileiras passem a utilizar tecnologias de IA em seus processos.

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O plano propõe a criação de dez hubs de inovação em IA distribuídos pelo território nacional, com o objetivo de promover a colaboração entre startups, empresas consolidadas e instituições acadêmicas. Outra meta é dobrar o volume de investimento privado em pesquisa e desenvolvimento na área.

O Brasil também busca entrar na lista dos 25 países com maior número de patentes relacionadas à IA. Além disso, a expectativa é que 30% das soluções de IA desenvolvidas no país sejam exportadas e que a cadeia produtiva nacional atenda a 10% da demanda interna por hardware e software especializados.

Entre os objetivos está o fortalecimento da cadeia produtiva nacional, com a criação de um ecossistema robusto de inovação e a atração de investimentos. O plano também aposta nas vantagens competitivas do Brasil para estabelecer o país como um polo global de data centers.

Para alcançar esses objetivos, o PBIA estrutura duas frentes principais de atuação. A primeira é o Programa de Fomento à Cadeia de Valor da IA, que prevê o fortalecimento de empresas nacionais, desde startups até fornecedores de modelos fundacionais de IA. As ações incluem estímulos à internacionalização de soluções brasileiras, apoio à implantação de data centers e parcerias público-privadas.

A segunda iniciativa é o Programa de IA para Desafios da Indústria Brasileira, voltado à transformação digital do setor industrial. O programa busca fomentar o desenvolvimento de soluções específicas para os gargalos da indústria nacional, alinhando-se às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada pelo governo no ano passado.

“A IA alinha-se diretamente com a Missão 4, que visa à transformação digital da indústria como meio de ampliar sua produtividade, mas também atua como catalisadora para o desenvolvimento tecnológico em todos os setores abrangidos pela NIB”, diz o PBIA.

Potencial e desafios
Foto: DC Studio/Freepik

O plano destaca que o Brasil apresenta um potencial significativo na economia de dados e possui um ecossistema de inovação em crescimento, com startups brasileiras levantando US$ 17,6 bilhões entre 2019 e 2023, e abrigando 30% de todas as startups de Deep Tech da América Latina e Caribe, com IA representando 16% dessas startups (Google for Startups, 2024). Além disso, 91% das empresas têm acesso à internet por fibra óptica, e 85% da população conta com cobertura 5G.

Contudo, o Brasil enfrenta desafios na apropriação dos benefícios da economia de dados e na adoção ampla de IA. O país ocupa apenas a 13ª posição mundial em número de data centers, com 168 em operação — muito atrás de líderes como os Estados Unidos, que possuem mais de 5.000. Apenas 13% das empresas brasileiras utilizam tecnologias de IA, com desafios particulares na integração em setores tradicionais como agricultura e manufatura.

“O investimento em IA no Brasil, embora crescente, ainda é significativamente menor comparado a líderes globais, e o país carece de uma cadeia produtiva de IA robusta”, conclui o PBIA.

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