Repercussão

Tarifaço de Trump preocupa indústria brasileira, apesar de 700 produtos fora da lista

CNI e Amcham alertam para impactos sobre cadeias produtivas, empregos e investimentos, e defendem negociação como alternativa à escalada de tensões

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O decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicará uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 6 de agosto, gerou reação imediata de entidades do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como uma ameaça à competitividade da indústria nacional e aos contratos de longo prazo firmados com parceiros internacionais.

“A confirmação da aplicação da sobretaxa sobre os produtos brasileiros, ainda que com exceções, penaliza de forma significativa a indústria nacional, com impactos diretos sobre a competitividade”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Para ele, “não há justificativa técnica ou econômica para o aumento das tarifas”, e o momento pede negociação. “Acreditamos que não é hora de retaliar. Seguimos defendendo a negociação como forma de convencer o governo americano que essa medida é uma relação de perde-perde para os dois países, não apenas para o Brasil”, acrescentou.

De acordo com uma análise preliminar da CNI sobre o decreto de Trump, cerca de 700 produtos brasileiros ficaram fora da nova tarifa de 50% — que representa um acréscimo de 40 pontos percentuais em relação à alíquota atual de 10%, estabelecida em abril. Esses produtos, no entanto, continuarão sujeitos à tarifa anterior.

Como resposta, a CNI prepara uma missão empresarial aos Estados Unidos, com o objetivo de estreitar laços entre empresas brasileiras e americanas e estimular o diálogo sobre os efeitos da medida. “Nosso papel é ser um facilitador e o nosso objetivo é sensibilizar as empresas para que elas sensibilizem o governo. As tarifas também vão afetar a economia americana”, acrescentou Alban.

Nas redes sociais, internautas se divertiram com memes sobre tarifaço desidratado anunciado por Trump. Contudo, mesmo com extensa lista de isenções, a indústria brasileira ainda teme por efeitos negativos
Amcham também se manifesta

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) também expressou preocupação com os impactos da nova política tarifária, afirmando que a decisão “fragiliza as relações econômicas e comerciais entre os dois países, afetando negativamente a competitividade de suas empresas, o emprego de seus trabalhadores e o poder de compra de seus consumidores”.

A entidade defende que “divergências comerciais sejam resolvidas pela intensificação do diálogo construtivo em alto nível” e ressalta a parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos. Pesquisa recente conduzida pela Amcham revela que mais da metade das empresas exportadoras brasileiras projetam uma queda drástica — ou até a interrupção total — nas vendas para o mercado norte-americano em função do aumento tarifário.

Além disso, 86% das companhias ouvidas avaliam que eventuais medidas de reciprocidade por parte do Brasil tenderiam a agravar a tensão e reduzir o espaço para negociações, podendo também afetar cadeias que dependem de insumos ou tecnologias americanas.

“A Amcham Brasil reafirma, neste momento, seu compromisso histórico — de mais de um século — com o fortalecimento das relações bilaterais e se coloca à disposição dos governos de ambos os países para colaborar na construção de uma solução mutuamente satisfatória”, concluiu a entidade.

Setor de tecnologia

O IA Brasil Notícias publicou recentemente uma entrevista com o fundador e sócio da Ideen e da Revvo, Fábio Magalhães, destacando que o Brasil depende de plataformas, ferramentas e parcerias que circulam por uma rede global — muitas vezes conectada aos EUA.

“Se o ambiente institucional sinaliza incerteza, o investidor pensa duas vezes. Startups que dependem de ferramentas em nuvem, frameworks abertos ou até mesmo capital estrangeiro tendem a adiar planos. Operadores mais maduros já avaliam os riscos de represália e impacto cambial nos custos operacionais”, declarou. 

Magalhães também vê possíveis impactos em projetos de data centers voltados para IA. Segundo ele, embora muito da infraestrutura hoje seja fornecida “as a service” via nuvem, os data centers locais continuam sendo uma peça-chave no processamento de dados de IA, especialmente com o avanço de modelos maiores, que exigem latência baixa e conformidade com regulamentações locais.

“Provedores internacionais como Google Cloud, AWS e Microsoft já têm operações robustas no Brasil, mas uma política tarifária instável pode afetar seus planos de expansão ou alterar condições comerciais com clientes locais”, avaliou.

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