O investimento em soluções tecnológicas tem sido o principal instrumento adotado pela Nova 381 para lidar com a complexidade da concessão do trecho de 303 quilômetros da BR-381 entre Governador Valadares e Belo Horizonte, em Minas Gerais. De acordo com a concessionária, estão previstos cerca de 560 projetos de engenharia e aproximadamente 45 mil documentos técnicos apenas nos primeiros sete anos de contrato.
As informações foram apresentadas durante o 1º Workshop GeoBIM da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No evento, a Nova 381 detalhou como vem utilizando inteligência artificial (IA) e modelagem tridimensional para aumentar a eficiência da análise técnica e cumprir os prazos regulatórios.
O encontro teve como foco o uso da tecnologia GeoBIM, que integra a Modelagem da Informação da Construção (BIM) — modelos digitais com dados detalhados de materiais e custos — aos Sistemas de Informações Geográficas (GIS). Na prática, essa combinação permite visualizar projetos de duplicação inseridos na topografia real da rodovia, cruzando informações com dados de desapropriações e restrições ambientais.
Segundo a concessionária, a estratégia busca atender às características de um dos principais corredores logísticos do país, utilizado para o escoamento da produção de indústrias siderúrgicas do Vale do Aço. Entre os desafios citados estão o relevo acidentado e o traçado sinuoso da rodovia, que exigem planejamento detalhado para a execução das intervenções.
Automação e suporte à decisão técnica
Durante a apresentação, o gerente de Projetos da Nova 381, Alonso Lopes, explicou que a integração entre GeoBIM e algoritmos de IA cria um ambiente digital que torna a análise dos documentos de engenharia mais eficiente e confiável. Segundo ele, a tecnologia contribui para verificar se os projetos atendem às diretrizes previstas no Programa de Exploração da Rodovia (PER), nas normas técnicas e nos manuais aplicáveis.
A concessionária afirma que o uso de automação também permite a checagem automática da integridade dos dados, reduzindo o tempo de tramitação administrativa e liberando as equipes técnicas para atividades de maior complexidade.
“A informação sempre foi um recurso valioso, mas a informação organizada e sistematizada é muito importante para o ciclo de vida longo de uma concessão. Estamos estruturando um CDE (Ambiente Comum de Dados), no qual o dado gerado hoje servirá para a manutenção da rodovia daqui a 30 anos”, afirmou Lopes.
De acordo com a Nova 381, antes mesmo da análise humana, robôs e algoritmos realizam varreduras automáticas nos arquivos para verificar integridade, nomenclatura e escopo, assegurando conformidade com normas internacionais, como a ISO 19650, e com as diretrizes da ANTT.
A aplicação de IA atua como apoio à decisão técnica ao comparar planilhas e desenhos para identificar inconsistências que poderiam passar despercebidas em análises manuais em larga escala. Segundo Lopes, esse modelo operacional está alinhado à cultura tecnológica da concessionária, que concluiu recentemente a instalação de cinco pórticos de pedágio eletrônico em toda a rodovia e afirma contar com conectividade 4G ao longo de 100% da extensão concedida.






